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A Matrix, a Caixa, Níveis de Consciência e o Estado Islâmico

Há algum tempo o termo Matrix saiu das telas do cinema e ganhou a filosofia popular com sentido de ilusão à qual todos somos submetidos. “Sair da Matrix” passou a significar libertar-se dos padrões impostos. O mote agora é “Pensar fora da Caixa”, conceito criado por Daniel Pink e reproduzido a exaustão por muitos palestrantes e pela cultura popular, muitas vezes fora do contexto. Significa a mesma coisa.

O conceito de Níveis de Consciência por outro lado mostra o que acontece quando você está num determinado nível de consciência e resolve sair da matrix ou pensar fora da Caixa: você sai de um nível de consciência e vai para outro. Vamos ver como isso acontece e o que tem isso a ver com o Estado Islâmico.

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Matrix – foto promocional

Níveis de Consciência

A teoria dos Níveis de Consciência da Dinâmica em Espiral é tenta explicar a complexidade do mundo e a natureza das mudanças ao nosso redor. Sua base são as pesquisas iniciadas pelo psicólogo americano Clare W. Graves e seus seguidores, Don Beck e Chris Cowan. Recentemente recebeu implementos das ideias dos filósofos Richard Dawkins e Mihaly Csikszentmihalyi.

Basicamente temos atualmente de 7 a 8 níveis de consciência (a diferença deste número é por causa do próprio dinamismo da teoria, pois a medida que homem evolui, ele vai atingindo um nível mais alto de consciência), cada um associado a uma cor.

No nível 1, ou bege, o indivíduo preocupa-se apenas com a sua sobrevivência. O instinto é mais importante. Vai lutar por suas necessidades básicas, alimento, água e abrigo. Povos muito primitivos, sem a mínima organização, e pessoas em situação de emergência (por exemplo uma catástrofe natural).

No nível 2, ou roxo, preocupa-se com a família a tribo ou o clã. A explicação do mundo é mágica, ditada pela tradição. Tribos organizadas, por exemplo.

No nível 3, ou vermelho, o indivíduo ultrapassa o conceito de clã e busca experienciar o mundo além da tribo. Ele busca o poder e se torna autoritário. Aqui está o uso da força de forma coercitiva. Eu mando por que eu posso.

No nível 4, ou azul, há uma evolução no sentido de que a autoridade agora é organizada em torno de uma ideia, por exemplo uma nação ou uma religião. Aqui surgem as regras de conduta, o direito e a coerção em nome do grupo. O líder dirá : “eu mando porque falo em nome do grupo, de um deus ou de uma ideia”. Aqui podem surgir fanatismos religiosos e até laicos (A Lei deve ser cumprida a qualquer preço). Um grupo pode segregar outros, criando a divisão “nós e eles”. Nesta situação estão todas as religiões fundamentalistas (muçulmanos xiitas, evangélicos fundamentalistas, católicos conservadores, judaísmo ortodoxo), ideologias políticas totalitárias (fascismo, nazismo, stalinismo) até torcidas organizadas de futebol.

Briga de torcedores Vasco e Atlético - Agencia Folhapress

Briga de torcedores Vasco e Atlético – Agencia Folhapress

No nível 5, ou laranja, é o dos realizadores. O indivíduo liberta-se o grupo e procura se desenvolver saindo das amarras das regras rígidas. Dentro deste grupo de pessoas podem estar tanto empreendedores como gananciosos. Pode gerar líderes que impulsionam ideias, cientistas, inovadores. Porém, como ele é voltado para si, pode gerar pessoas que agem sem escrúpulos, como os executivos da Samarco e da Vale do Rio Doce.

No nível 6, ou verde, o indivíduo volta-se para o todo, preocupa-se com a comunidade (às vezes com a Terra toda). Aqui temos o hippies, o Green Peace, comunidades alternativas. A frase que o define é “Somos Todos Um”. O que traz de positivo é a consciência ecológica. Porém, como seu processo decisório é por consenso, pode gerar demora excessiva numa tomada de decisão.

Os dois últimos (7 e 8), amarelo e turquesa, são mais fluídos, com um nível de abrangência maior, buscando integrar todos os níveis.

Há um nono nível em formação, o Nível Coral, que seria a Terra e a Humanidade vista do ponto de vista cosmológico.

Estado Islâmico e a politica anti Terror

Observe o nível 4 e o que está acontecendo agora. O surgimento do ISIS, numa região já conturbada há séculos traz à tona um sentimento de “nós e eles” muito claro. Nós somos “os bons” e eles, “os maus”. Não importa se você é cristão ou muçulmano. Pensar desta forma gera preconceitos e justifica uma guerra santa ou uma cruzada.

A capa da revista Veja assustadoramente parece ilustrar isso: Uma bomba com uma pomba da paz desenhada nela. A mensagem é: “só teremos paz se partirmos para a guerra”. É claramente o nós (A Civilização, que joga as bombas) contra o eles (O Terror, do Estado Islâmico). Isso está em toda a mídia, de uma forma ou de outra.

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Revista Veja – Capa edição de 24/11/2015

Sem entrar em teorias da conspiração, se observe um pouco e tente sair da Matrix ou pensar fora da caixa.

Analise quais de seus pensamentos são seus mesmos e quais são os de um grupo (não importa quais são suas crenças, mas o seu comportamento em relação ao todo). Será que realmente você quer tanto “o fim do terror” a ponto de negar seus valores e sua própria liberdade pessoal? Ou será que a bandeira que carrega foi alguém que colocou na sua mão?

Quando o pensamento é grupal é bom revê-los como indivíduo. O tão esquecido “exame de consciência”.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses e alemães eram retratados pela mídia como monstros a ponto de serem despersonalizados. Do lado alemão, os judeus eram o outro a ser destruído. Os japoneses viam assim os chineses. O mesmo aconteceu com os comunistas durante a Guerra Fria, que foram demonizados neste lado do mundo (“comunista come criancinha”). E com certeza, todos nós, ricos ou pobres, fomos agrupados do outro lado como sendo “porcos capitalistas”.

Pense fora da Caixa, saia da Matrix, eleve-se além do nível azul de consciência e, se resolver escolher um lado (ou não escolher nenhum), que seja pelos seus próprios pensamentos.