Archive

Arquivos de tag para " Tarot "
1

Além de um oráculo: Tarot de Ação Psiônica Pulsada©

Tarot Psiônico de Ação Pulsada©

Tarot Psiônico de Ação Pulsada©

Nossa experiência de mais de 10 anos como tarólogo e operadores de mesa radiônica nos fez perguntar se haveria um meio de ir além do que o Tarot convencional e outros oráculos forneciam. Nossas pesquisas levaram à construção do Tarot Psiônico de Ação Pulsada©.

Os oráculos têm a função de apontar caminhos. Normalmente, as pessoas buscam um oráculo num momento de suas vidas onde procuram uma resposta, em geral sobre um evento que vai ocorrer no futuro e desejam antecipar o que vai acontecer.

A partir do que o oráculo diz, tomam ou não uma decisão, agindo ou aguardando o inevitável.

Entretanto, raros são os oráculos que permitem uma intervenção na realidade da pessoa que faz a consulta. Isso é o remédio que normalmente vem de outra fonte, por exemplo, um médico, um advogado, um terapeuta ou um mago.

A proposta do Tarot de Ação Psiônica Pulsada© é justamente ir além dos oráculos mais comuns. Ele também faz o papel da outra fonte, auxiliando o tarólogo nos processos evolutivos de quem está fazendo a consulta.

Mas, mais do que isso, ele pode ser usado como um instrumento único em uma consulta, apontado caminhos, fazendo diagnósticos e dando uma solução de ordem energética ao problema apresentado.

Origem

O Tarot de Ação Psiônica Pulsada© é um Tarot emissor-modulador de energia, projetado a partir símbolos usados nas mesas radiônicas criadas por Régia Prado.

O Tarot de Ação Psiônica Pulsada não é só um instrumento de diagnóstico ou um simples oráculo, mas também um instrumento de intervenção na realidade da pessoa que consulta, de forma harmônica e equilibrada, através da emissão por meio de seu operador de frequências.mesas_radionicas_1

Suas bases são as ferramentas as Mesas Radiônicas de Régia Prado, organizadas por Alvaro Domingues em um Tarot, com elementos da Rede Cristalina, da Mesa Radiônica Quântica, da Mesa de Ambientes e consolidadas na Mesa Psiônica Universal (MPU).

Uma definição simples de mesa radiônica é um tabuleiro onde estão dispostos elementos, símbolos que reúnem de forma abstrata a informação neles contida que serão exploradas pelo operador, traduzidas e enviadas para o interagente com o objetivo de alterar o entrelaçamento energético e informacional que o problema trazido para a consulta contém.


Os três níveis de ação

O baralho é constituído por três naipes de 14 cartas, sendo um para a Mesa Radiônica Quântica, outro para a Rede Cristalina e outro para a Mesa de Ambientes.

O Tarot de Ação Psiônica Pulsada trabalha em três níveis de ação: Eu com o Ambiente, Eu e minhas relações e Eu comigo mesmo.

Tarot Psionico - Naipes

O primeiro nível, de cor verde, Eu com o Ambiente, ou simplesmente Ambiente, está relacionado com a Mesa Radiônica para Ambientes e está ligado à nossa vida do dia a dia a partir dos ambientes em que vivemos, começando por nossa casa. Tem por base conceitos extraído do Feng Shui, da Geobiologia e da Geometria Sagrada, entre outros.

Naiape Mesa de Ambientes

O segundo nível, de cor azul, Eu e minhas relações, ou simplesmente Relações, está associado à Mesa Radiônica Quântica, tento por base as nossas relações com as pessoas e o meio externo a nós, como a escola, o trabalho, os amigos e a família. Aqui também está a nossa saúde física e mental e espiritual. Agrega conceitos de várias técnicas terapêuticas como, florais, radiestesia, Geometria Sagrada, terapias holísticas e a Física Quântica.

 

carta mesa radionica trisquel

O terceiro nível, de cor azul celeste, Eu comigo mesmo, tem por base a mesa Rede Cristalina. É o “conhece a ti mesmo” dos gregos e a base de toda evolução pessoal. Neste nível, vai-se à camada mais profunda do self do interagente.

carta mesa rede cristalina flor da vida

 

Os conjuntos azul e verde são compostos por cartas de ferramentas e portais. As cartas azuis celestes são divididas em ferramentas, elementos e redes.

As cartas tanto podem ser usadas para diagnóstico como para emissão energética. Elas podem ser de limpeza, proteção ou de ação. As cartas de ação seriam cartas onde uma ferramenta é aplicada na vida do interagente, com uma intenção de mudança nos padrões comportamentais, no ambiente ou nos processos relacionais.

Emissão de frequência ou energias

A termo psiônico empregado para nomear este Tarot foi escolhido porque pressupõe uma atuação energética do operador. Este termo foi empregado na parapsicologia para designar as energias produzidas pelo cérebro humano, capazes de gerar fenômenos paranormais (fenômenos psi: clarevidência, premonição, telepatia e psicocinese).

Após a escolha das cartas e a sua leitura o tarólogo emitirá uma energia na forma de uma onda psi dentro de uma frequência modulada com a intenção do operador e pelos símbolos das cartas. (Não se trata de um conceito físico, mas uma metáfora para explicar o funcionamento das cartas).

Em outras palavras a energia ou frequência modulada foi emitida e enviada pelo tarólogo ao interagente (consulente), por meio das cartas do Tarot.

O Tarot de Ação Psiônica Pulsada em si mesmo não pode emitir nada. Sem a presença de um tarólogo ou operador é um mero maço de cartas. A sua função é ser inicialmente um guia para o operador realizar sua interpretação em uma leitura e, num segundo momento, um filtro para modular e direcionar as energias captadas ou emitidas pelo tarólogo.

Quem emite, capta ou transmuta é o tarólogo. As cartas são somente um instrumento modulador. O termo psiônico escolhido para descrever o Tarot mostra exatamente isso: a energia mental que todos nos possuímos e o ato de manipular o Tarot apenas ajuda a direcionar esta capacidade.

Ação Psiônica

Os conceitos do Tarot de Ação Psiônica Pulsada podem ser aprendidos rapidamente mesmo para quem nunca tenha manipulado um Tarot ou uma mesa radiônica. Embora tenha como origem as ferramentas das Mesas Radiônicas RP, funciona tanto de forma independente como em conjunto com elas.

Ele também pode ser usado em conjunto com Tarots convencionais e outros oráculos e terapias alternativas.

A vantagem principal deste Tarot é que em vez de apenas lermos o que o destino reserva ao consulente (interagente), podemos agir de forma direta permitindo que a energia flua mais livremente podendo levar a uma mudança de resultados.

Depoimentos (coletados do grupo do facebook Taro de Ação Pulsada. Em Movimento)

Wedy Julia Bossi O Tarô Psiônico de Ação  Pulsada tem sido de grande importância nos meus estudos e ao executar as mesas. As vezes me surpreendo com a rapidez dos resultados. Realmente o trabalho se estende e firma mais com ele. As curas estão acontecendo de forma extraordinária pela ação desse Taro. Todos os tipos de cura que venho trabalhando em nome do Sagrado. Processos em justiça, mágoas, tentativa de suicídio, situações diversas. Gratidão a Régia R Prado e a Alvaro Domingues.

Ida Maria Mello Schivitz Embora há muitos anos eu use vários oráculos como Tarô, I Ching, Runas, Cartas Ciganas, há muito pouco tempo aprendi o “Tarô Psiônico de Ação  Pulsada” bem como a “Mesa Radiônica Quântica” (Azul) e ( RP), de Regia Prado. Tenho utilizado como método, após a aplicação da Mesa solicitar que o interagente retire três cartas do Tarô. Tenho invariavelmente constatado que são retiradas cartas, pelo interagente, com as ferramentas apontadas pelo pêndulo e trabalhadas na Mesa. Ainda ontem, dia 22/10/2017 aconteceu este fato novamente. Acredito que o Tarô confirma o trabalho realizado na Mesa.Também o uso para completar o Tarô de Crowley, verificando que ele aponta caminhos muito específicos aprofundando ao Crowley.

Katia Ferraz Tenho atuado de diversas formas com o Taro Psiônico de Ação Pulsada. Tanto nos meus atendimentos apenas de Tarot convencional como nos de mesa radiônica e tenho feito da seguinte forma. Quando o atendimento é apenas a leitura noto que a repetição de algumas cartas me faz abrir o Tarot Psiônico de Ação pulsada para entender melhor a situação. Como num caso amoroso onde pelo Taro Psiônico de Ação Pulsada verifiquei que se tratava de um amor de outras vidas e as vibrações estavam vindo de outras dimensões. Ao programar as energias corretas pela leitura do tarot de luz pulsada a situação se normalizou e a interagente ficou muito satisfeita com o desenrolar da história dias depois. O efeito transformador é mesmo espetacular.

Rutinha Cafaro  Através do Tarô Psiônico de Ação  Pulsada consegui transmutar a energia super negativa das pessoas e do local de trabalho, porém, após um tempo, comecei a enviar energia e fazer o Tarô Psiônico de Ação Pulsada para que se abrisse uma nova oportunidade de emprego, me chamaram para uma entrevista na quarta e vou começar na segunda feira emprego muuuito melhor com pessoas positivas, leves do jeito que pedi.

Como adquirir o Tarot Psiônico de Ação Pulsada©

O Tarot Psiônico de ação Pulsada está disponível para o Brasil e Portugal. Para outros países é necessário verificar condições de envio e pagamento, mas já temos clientes na Argentina, na Inglaterra e Itália.

Ele está sendo vendido no Brasil por R$120,00, com frete registrado incluso e em Portugal, por €40,00..

Para maiores informações e reservas, escreva para:

Alvaro Domingues & Régia Prado

contato@alvarodomingues.com

Informe no texto do seu e-mail seu nome e endereços completos, com código postal e país.

 
Alvaro Domingues & Régia Prado

3

Quatro cartas importantes no Tarot Psiônico de Ação Pulsada

Dentro do Tarot de Ação Pulsada, no naipe Azul Claro encontramos as cartas associadas às redes que envolvem o planeta Terra.

Já acostumamos com a rede da Internet e até esquecemos que www é world wide web (que pode ser traduzido como rede universal ampla). Há várias redes artificiais à nossa volta, como rede elétrica, e rede de distribuição de água, etc..

Há outras redes invisíveis, só que naturais.

As redes consideradas no Tarot Psiônico, no naipe azul celeste são:

  • A Rede de Informação Planetária
  • A Rede Gaia
  • A Rede da Humanidade
  • A Rede Cristalina

Acredita-se que estas redes são formadas por malhas energéticas que envolvem o planeta Terra e que atuam de diversas formas sobre os seres que nele habitam.

Como ainda não há provas científicas de sua existência, escolhemos nos colocar de forma aberta e aceitar sua influência a partir das experiências pessoais e com interagentes e de considerações feitas a partir de outras técnicas holísticas e mesmo da ciência oficial (Física Quântica, por exemplo).

Rede de Informação Planetária

A Astrologia é uma arte e uma técnica milenar, onde o movimento dos astros do sistema solar, tendo como pano de fundo as constelações do zodíaco, são interpretados a partir da data, hora e local do nascimento do indivíduo, dando as características individuais.

Escolhemos chamar a influência astrológica de rede de informação planetária, porque podemos imaginar a Terra mergulhada numa malha energética formada pelos planetas e luminares (Sol e Lua). A Ciência canônica (oficial) não conseguiu detetar uma influência marcante das energias conhecidas dos planetas, como a gravitacional e a eletromagnética (o que não significa que elas não existam, ou que não existam outros tipos de energia ainda não descobertas) embora reconheça parte destas influências a partir do Sol e da Lua. O efeito das marés e da luz solar e outras radiações são bem conhecidos há milênios.

Alguns astrólogos de vertentes psicológicas, sobretudo junguianas, acreditam que a influência planetária ocorre de maneira simbólica, através do inconsciente e acabam compondo de alguma forma a energia psíquica.

A Astrologia trabalha com arquétipos, representados por figuras mitológicas que personificam os astros. O drama celeste desenhado no céu e descrito no seu mapa astral é uma fonte de informações extremamente útil para autoconhecimento.

A sua inclusão no Tarot Psiônico permite que ao fazermos a emissão, possamos reforçar as influências astrológicas positivas e atenuar as negativas. O Mapa não “desaparece”, mas o interagente conseguirá trabalhar melhor com estas influências partir da leitura. A inclusão desta carta permite que possamos usar o Tarot psiônico como um todo para agir diretamente nos mapas astrológicos do interagente ou através da leitura da mandala astrológica (doze cartas distribuídas em círculo, representando as doze casas) permitir um reagrupamento positivo das energias planetárias envolvendo o interagente

Rede Gaia

Gaia é um dos nomes do planeta Terra e a Rede Gaia, aqui simbolizada por um dodecágono, representa as inter-relações ecológicas que regem a natureza do nosso planeta. A chamada Hipótese Gaia considera o planeta como um ser vivo composto por todos os reinos (mineral, vegetal animal e humano), unidos por laços energéticos, nem sempre conscientes. Uma metáfora interessante é mostrada no filme Avatar.

Entretanto a partir da Revolução Industrial o homem passou a ver a Natureza como um inimigo a ser vencido, ou no máximo como algo a ser corrigido pela sua mão, com consequências desastrosas.

Felizmente com o crescimento das técnicas holísticas esta visão começa a ser modificada.

 

Rede da Humanidade

A Humanidade também está conectada. Cada pensamento nosso gera energias eletromagnéticas, que podem ser captadas por outros seres humanos. Segundo Jung, também estamos unidos pelo Inconsciente Coletivo, com todos que vivem hoje, já viveram e até os que ainda não nasceram, bem como com os arquétipos.

O icosaedro, cuja projeção em 2D é um hexágono, aqui representa a rede da humanidade, ligado ao elemento água. O elemento Água rege as emoções, o que nos faz pensar nessa rede como profundamente afetiva.

Ela pode ser percebida em grandes momentos de solidariedade ou de grandes alegrias que atingem muitas pessoas. Também pode ser percebida quando um comportamento ou emoção é sentido como própria do ser humano.

 

Rede Cristalina

A Rede Cristalina, representada por um duplo dodecágono, é uma malha energética que surge com a união dos pontos das redes anteriores, representa no nível planetário a consciência desperta do planeta, que surgiu com a mudança consciencial da humanidade da 3ª para a 5ª dimensão.

Podemos imaginar esta rede como envolvendo todo o planeta, mas sua origem está nas energias manifestas na Terra e nos seres que nela habitam.

Também podemos vê-la como uma nova consciência oriunda desta soma de interações e que preparam o planeta para o seu salto quântico

 

 

Os efeitos nas tiragens do Tarot Psiônico

Todas estas redes quando aparecem numa tiragem colocam um nível energético alto que é direcionado para resolver o problema do interagente. É um verdadeiro exército de frequências mobilizado para a ação.

É útil meditar sobre cada uma destas cartas e tentar ver seu significado mais profundo e como estas redes podem nos influenciar no dia a dia.

Photo credit: sociate via VisualHunt.com / CC BY-SA

10

O Tarot Psiônico, as Mesa Radiônicas e o Arquétipos

A partir do momento que eu coloquei o Tarot Psiônico de Ação Pulsada, algumas perguntas surgiram:

  • Qual seria a relação do Tarot Psiônico de Ação Pulsada com os arquétipos junguianos?

  • E a Geometria Sagrada, que relação tem com ele?

  • Onde estão as figuras dos arcanos maiores neste Tarot?

Vi então que este artigo era necessário. Não vou responder uma a uma mas deixarei claro os conceitos que o embasam. Alguns estiverem na minha mente e na de Régia Prado de forma consciente e outros, como todo processo criativo, de forma inconsciente.

Arquétipo

O termo arquétipo tem uma gama de interpretações variadas e algumas até equivocadas. Vou tentar resgatar um pouco seu significado original.

Essa palavra é formada pela junção do prefixo arc, com o radical tipo, que significa modelo.

Arc como na palavra arcaico, representa antigo. Então numa primeira abordagem arquétipo seria um “tipo antigo” ou “forma antiga”.

Jung usou essa palavra para designar estruturas antigas na psique que estariam no inconsciente mais profundo, que ele chamou de inconsciente coletivo. Ele deu caracterização humanizada a alguns destes arquétipos. Por exemplo, Ânima e Animus, O Velho Sábio, O Herói, etc.. Ele fez isso após uma longa observação no conteúdo de manifestações culturais de vários povos e delírios de pacientes psiquiátricos, sobretudo, esquizofrênicos. Para Jung os arquétipos são estruturas psíquicas organizadas, relativamente autônomas, que compõe o ser humano em sua totalidade, desde o físico, passando pelo mental, emocional e espiritual. Se pensarmos em termos de programação de computadores, os arquétipos seriam os programas básicos, anteriores até ao próprio sistema operacional. Seriam similares às rotinas que compõe a BIOS.

A palavra também foi usada por Platão, no sentido da ideia primordial. Algo que estaria no mundo transcendente do qual o nosso seria uma projeção incompleta deste mundo perfeito. Nosso mundo seria o chamado Mundo Manifesto. O mundo das formas perfeitas seria o Mundo das Ideias. Neste Mundo da Ideias, existiam, entre outras coisas, as formas básicas, tiradas da geometria euclidiana (a geometria que aprendemos na escola), como o ponto, a reta, o círculo os polígonos regulares (o triângulo, o quadrado, o pentágono, o hexágono, etc) e os sólidos e em especial os sólidos regulares, ou seja, sólidos cujas faces eram formadas por polígonos regulares de mesmo tipo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Depois de longos estudos, Platão descobriu que existiam cinco e somente cinco sólidos deste tipo, que ficaram conhecidos como sólidos platônicos, que são:

  1. O cubo, sólido com seis faces quadradas, que ele associou ao elemento Terra no mundo manifesto;

  2. O icosaedro, sólido com 20 faces triangulares, que ele associou ao elemento Água no mundo manifesto;

  3. O octaedro, sólido com oito faces triangulares, que ele associou ao elemento Ar no mundo manifesto;

  4. O tetraedro, sólido com quatro faces triangulares, que ele associou ao elemento Fogo no mundo manifesto;

  5. O dodecaedro, sólido com 12 faces formadas por pentágonos, que ele associou ao Éter que corresponderia à quintessência ou ao cosmo, a alma do mundo.

Há ainda um sólido especial, formado por infinitos polígonos: a esfera, que poderia ser diminuída constantemente a até ser reduzida a um ponto, representando a Perfeição, ou aumentada indefinidamente abarcando todo o Universo.

As formas da geometria euclidiana eram usadas para compor todas as formas conhecidas, fosse um tijolo ou uma catedral e sua manipulação exigia um grande conhecimento do sagrado. Este conhecimento se transformou na Geometria Sagrada.

Os arcanos

Há uma outra palavra muito usada no meio esotérico: arcano.

O prefixo arc também o precede mas com outro significado: de oculto, um segredo, como na palavra arca, um tipo de baú com chave onde eram guardados objetos pessoais ou valiosos.

Os arcanos do Tarot seriam elementos que continham dentre de si segredos a serem desvendados apenas para os iniciados. Segundo alguns autores, estes segredos foram perdidos e o Tarot que conhecemos seria uma recriação a partir de dados pesquisados ou intuídos ao longo de séculos, que formaram a interpretação que temos hoje.

Uma pesquisa bastante extensa está no livro O Código Sagrado do Tarot, de Wilfried Houddouin, que consegue relacionar o Tarot de Marselha com a Geometria Sagrada, tal como era concebida na Idade Média.

 

Por outro lado e de certa forma complementado esta pesquisa, há o livro Jung e Tarot, de Sallie Nichols. Este livro relaciona os arcanos maiores e as cartas da corte com arquétipos junguianos e estabelece a Jornada do Louco, com uma descrição semelhante à Jornada do Herói, descrita por Joseph Campbell em seu livro O Herói de Mil Faces, que seria um dos caminhos da individuação proposta por Jung.

Jung e o Tarot

Sallie Nichols nos apresenta a jornada arquetípica de O Louco

O interessante a observar é que Platão não disse que só haviam formas em seu Mundo das Ideias, mas também que haviam conceitos, como O Homem Perfeito, retratado por Leonardo Da Vince como O Homem Vitruviano e Jung por sua vez nunca disse que todos os arquétipos poderiam ser apenas retratados por figuras humanizadas, mas poderiam também haver processos, como o que mantém o coração batendo. Aliás, as formas humanizadas seriam apenas um jeito de nos aproximarmos dos arquétipos para podermos saber que eles existem e lidarmos com eles.

Homem Vitruviano - Leonardo da Vince

O Homem Vitruviano de Leonardo da Vince

Os Arquétipos e o Tarot Psiônico

Quando desenvolvemos o Tarot Psiônico, verificamos que as ferramentas em si eram estruturas complexas e autônomas que poderia estar dissociadas das mesas radiônicas que lhe dava suporte. Experiencias de alguns operadores de mesa que também praticavam Rei Ki ou outros tipos de terapias energéticas, as ferramentas presentes nas mesas se incorporavam sozinhas ao repertório de símbolos, aparecendo na mente do operador quando faziam aplicação do Rei Ki.

Jung, aproximando-se da Alquimia e da Astrologia, coloca em tela o conceito de símbolo. Para ele, símbolo seria uma manifestação espontânea do inconsciente e uma forma de aproximação com os arquétipos. Entre os símbolos ele destaca a mandala.

O conceito junguiano de arquétipo tem como um de seus elementos o conceito de estruturas complexas e autônomas. Por outro lado, também se aproximavam do conceito platônico de ideia, uma forma ou modelo que transcende o mundo real e o determina. Ambos estes conceitos podem ser aplicados às ferramentas presentes nas mesas radiônicas e no Tarot Psiônico. Por exemplo, há os sólidos platônicos presentes na Mesa Cristalina e os portais, que estão relacionados tanto com as mandalas junguianas como com formas matemáticas presentes na Geometria Sagrada.

Entretanto, há uma diferença entre o pensamento de Platão e Jung. Para Platão, os arquétipos pré-existem antes de qualquer consciência humana. Jung não entra neste mérito. Para ele os Arquétipos existem no inconsciente coletivo da humanidade. Talvez hoje ele dissesse que está no DNA e evoluíram junto com a humanidade, mas é necessário que exista pelo menos um humano para que os arquétipos existam, como neste trecho do conto “Uma valsa na zona do crepúsculo”, de minha autoria, onde A Morte (um arquétipo) se posiciona exatamente sobre isso:

A Morte

Me julgava Imortal até que percebi onde realmente eu vivo. Eu vivo no Inconsciente Coletivo da Humanidade. Ele existe há séculos, tantos que eu não posso contar. E existirá por séculos ainda, tantos que também não poderei contar.

Mas um dia, o Último Homem morrerá, levando consigo para a zona além do crepúsculo o Inconsciente Coletivo Humanidade. E eu também atravessarei este último limiar. A Morte finalmente morrerá.

Nautilus

Tanto nas mesas radiônicas como no Tarot Psiônico, as ferramentas e as cartas têm uma aproximação forte com a simbologia platônica dada o uso da geometria sagrada. O uso desses símbolos como uma forma de modular energias e o fato de que todo o universo é formado por energia os aproxima. ainda mais.

Apesar de concentrado no ser humano, Jung não nega a transcendência. Mas, dada sua formação científica, ele se aproxima deste conhecimento com cautela. Na psicologia junguiana há uma função estruturante que Jung chama de função transcendente, aquela que é capaz de unir os opostos gerando um terceiro elemento que está acima e além dos outros dois. Por exemplo: o Infinito (representando o eterno devir) em relação ao Yin Yang (o movimento de energias opostas). De certa forma Jung também era platônico.

Então, as mesas radiônicas e o Tarot Psiônico estão trabalhando em ambos os níveis, o externo e cosmológico, representado pela filosofia platônica e os símbolos da Geometria Sagrada e o interno, através do conhecimento dos arcanos e dos arquétipos junguianos, tal qual o Tarot de Marselha nas visões de Sallie Nichols (Jung e o Tarot) e de Wilfried Houddouin (O Código Sagrado do Tarot).

 

Encarando a Magia no Século XXI

Magia, Bruxaria e Feitiçaria

Os termos Magia, Bruxaria e Feitiçaria são usados ora como sinônimos ora como coisas distintas. Um ou outro em tempos diferentes e para pessoas diferentes são fontes de admiração, recusa e até medo.

O medo normalmente é fruto da ignorância. E para afastar a ignorância nada mais eficaz do que o conhecimento.

Magia

Uma boa fonte de consulta será um dicionário. Escolhemos o Houssais, e, para magia obtivemos:

Magia: arte, ciência ou prática baseada na crença de ser possível influenciar o curso dos acontecimentos e produzir efeitos não naturais, irregulares e que não parecem racionais, valendo-se da intervenção de seres fantásticos e da manipulação de algum princípio controlador oculto supostamente presente na natureza, seja por meio de fórmulas rituais ou de ações simbólicas metodicamente efetuadas; mágica.

Para entender este conceito, vamos pedir ajuda ao Mago do Tarot. No Tarot de Marselha ele é representado por um mágico de rua, onde ele manipula objetos de forma habilidosa. Os eventos parecem extraordinários aos olhos do espectador, mas não aos olhos do Mago, que conhece os truques. Aproxima-se da última definição dada pelo verbete do Houssais: mágica.

01 o mago marselha

O Mago seria então um enganador? Sim e não. No Tarot ele simboliza aquele que abre o caminho para o conhecimento e ele precisa que o discípulo se maravilhe para que ele possa ensiná-lo.

Vamos pegar outro trecho da definição de Magia: arte, ciência ou prática baseada na crença de ser possível influenciar o curso dos acontecimentos e produzir efeitos não naturais, irregulares e que não parecem racionais.

Observe que o dicionarista tenta ser isento, colocando o termo magia como sento arte, ciência ou prática. Ao admitir que ela pode ser uma ciência ele dá a ela um status “mais nobre” ao termo.

A seguir ele coloca o objetivo da Magia: influenciar o curso dos acontecimentos e produzir efeitos não naturais, irregulares e que não parecem racionais.

Se colocarmos do ponto de vista do senso comum, esta seria uma definição adequada. Numa visão mais moderna, o Mago procura influenciar os acontecimentos, mas os efeitos que produz são apenas aparentemente não naturais. Tem uma frase dita por Arthur Clarke que é

“Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinta da magia.”

Arthur C. Clarke

Arthur C. Clarke

Por exemplo, até o século XIX as ondas eletromagnéticas eram desconhecidas. Para qualquer pessoa de uma época anterior, um celular seria um objeto mágico.

Saindo das ciências físicas indo para a psicologia, a hipnose, apesar de ter sido desenvolvida como uma técnica auxiliar de uma terapia (o mesmerismo, desenvolvido pelo abade Mesmer), foi considerada “magia” e banida pela Igreja, juntamente com a glass harmônica, um instrumento musical usado nas sessões.

Uma das formas de explicar os fenômenos atribuídos à magia é usar o modelo da Física Quântica, já que investigar fenômenos quânticos deixa até um cientista clássico intrigado, por parecer que não se adéqua ao modelo da física Newtoniana ou mesmo relativística. O mesmo pode se pensar do resultado da Magia: apesar de parecer não natural ou sobrenatural, é algo perfeitamente possível dentro da natureza, ainda que improvável.

Bruxaria e Feitiçaria

Interrogatório das Bruxas de Salem

Interrogatório das Bruxas de Salem

A bruxaria tem toda uma conceituação negativa, devido à perseguição sistemática feita pela Igreja Católica e posteriormente pela Protestante de mulheres que detinham algum conhecimento vindo das religiões pré-cristãs.

O termo é usado nos idiomas de origem Ibérica e seu significado original perdeu-se. No francês, as bruxas são chamadas de sorcière, que pode ser traduzido como feiticeira e no italiano strega, que significa ave noturna.

As bruxas seriam sacerdotisas de antigas religiões centradas no feminino. Quando estas religiões foram destruídas, a perseguição atingiu qualquer mulher que detivesse algum conhecimento não oficial, fosse de produzir os encantamentos (as bruxarias) ou simplesmente o uso de ervas medicinais.

A palavra feitiço pode ser associada com o verbo fazer, como no linguajar popular, onde o sinônimo é coisa feita. O feitiço seria uma ação executada provavelmente através de um ritual com uma intenção mágica. Novamente o preconceito coloca isso como uma ação sempre maléfica.

As Leis

Convém ressaltar que nas religiões antigas, a separação maniqueísta do Bem e do Mal não existia. O que existia era o respeito pelas leis da natureza, que o mago, a bruxa ou feiticeiro invocaria para fazer o que ele desejava e para toda ação eles sabiam que havia uma reação em contrário, o que pode ser entendido, com certos limites, como a Lei do Karma ou do Retorno. Na maioria das religiões a Lei do Retorno seria executada nesta vida mesmo.

Observando a Lei, o mago faria o possível pra que seus encantamentos seguissem a lei natural. O que ele na realidade fazia era dar “um empurrãozinho” em alguma das forças atuantes de forma que beneficiassem a ela ou a seu “cliente”.

Isso está na última parte da definição do Houssais: “valendo-se da intervenção de seres fantásticos e da manipulação de algum princípio controlador oculto supostamente presente na natureza, seja por meio de fórmulas rituais ou de ações simbólicas metodicamente efetuadas”.

Na definição aparece o termo “seres fantásticos”. Estes seres variam de religião para religião, mas em geral, podemos incluir os elementais (gnomos, ondinas, sílfides e salamandras), espíritos de mortos, anjos, deuses de mitologias politeístas e até, para horror de alguns fundamentalistas, Deus.

Dentro de um ponto de vista abrangente, a oração seria uma forma de magia: eu tento mudar a realidade, esperando uma ação sobrenatural, apelando para uma entidade espiritual em nome de uma Lei (por exemplo, a lei mosaica ou a lei do Amor).

Encarando a Magia

John William  Waterhouse Magic Circle

Há duas formas de encarar a Magia, que eu chamarei aqui, por razões didáticas, de cristã e pagã.

O jeito cristão de encarar a magia é confiar num poder sobrenatural externo a si mesmo, vindo por exemplo, de Deus, dos Anjos ou dos Santos, a quem apela. Para isso está disposto a sacrifícios, orar, fazer novena, praticar a caridade, etc.. Note que isso pode estar presente em religiões não cristãs, sempre que apelamos para uma entidade transcendente, seja Deus, Alá, Buda, Thor ou um Orixá. No caso é a vontade de Deus (ou da entidade que acredito) que está atuando predominantemente.

O jeito pagão de encarar a magia é ver a si mesmo como parte co-responsável pelo processo. Quando estou fazendo ou recebendo a magia, é a minha vontade que atua. Eu contribuo de alguma forma com a minha energia no processo. Note que coloquei também “recebendo” a magia. Isso pode ser entendida de duas formas. A primeira é eu contratei um mago para fazer o serviço para mim, então isso não me isenta do processo e dos resultados. A outra é: eu fui atingido por uma magia, boa ou má, porque eu permiti que isso acontecesse.

Para quem tem a visão pagã, o que acontece de errado na minha vida, mesmo vindo através de uma magia negra contra mim é de minha responsabilidade, pois fui eu quem vibrou negativamente criando condições para que o feitiço “pegasse”. E também das coisas boas. Uma pessoa com a visão pagã do mundo jamais dirá: Deus não me ajudou. Por outro lado, se ocorreu uma coisa boa, ele vai agradecer com a expressão “Sou grato”, pois a gratidão estabelece uma retribuição e não uma obrigação.

Note que a visão pagã pode ser encontrada em um cristão e vice-versa. E nós, na nossa vida cotidiana, independente de nossas crenças (ou não crenças, colocando aqui os ateus e agnósticos) temos ora uma atitude cristã (aceitar o mundo) ora uma pagã (agir no mundo).

Para que então ter medo da magia?

2

Tarot – As Cartas da Corte

Banquete

Dos arcanos menores do Tarot, as cartas da corte têm um significado especial, visto que, antes do Tarot de Waite se popularizar, eram, junto com os ases, as únicas cartas com figuras que pudessem ser interpretadas de imediato. Outro fator é que elas representam pessoas e podem ser facilmente associadas a tipos humanos.

Há quatro cartas da corte em cada naipe: O Pajem ou Valete, O Cavaleiro, A Rainha e O Rei. São figuras comuns numa corte medieval ou renascentista.

Os Pajens ou Valetes

Os Pajens representam jovens ou crianças que fazem pequenos serviços domésticos. A maioria dos pajens são meninos e os mais habilidosos eram designados para serem escudeiros, uma forma de treiná-los para serem os futuros cavaleiros. As meninas eram destinadas a serem damas de companhia para mulheres nobres ou seus filhos, por isso se associa o termo “pajem” com pessoas que cuidam de crianças.

pajens

Eles estão relacionados com O Louco e são, junto como os ases, anunciadores do tema do naipe, como O Louco anuncia os arcanos maiores. Porém, diferente de O Louco, eles estão numa situação mais estável, já estão num ambiente palaciano. É interessante observar a posição dos pés dos pajens em cada naipe mostrando a estabilidade de cada um.

Nos naipes de Copas e Paus os dois pés estão firmes no chão e em Espadas e Ouros apenas um pé está apoiado. Isso parece que contraria a natureza dos elementos ou dos naipes. Copas, representando a água e Paus, o Fogo, são elementos instáveis e representam respectivamente os sentimentos e a criatividade. Ouros por sua vez, representa ao elemento Terra e seria o mais estável dos elementos, entretanto O pajem de Ouros parece carregar o escudo com excessiva delicadeza e apenas um de seus pés está firme no chão. Já Espadas, representa o Ar, um elemento mutável, mas também representa a mente, e nas leituras do Tarot, os conflitos. O pajem de Espadas contudo não parece muito interessado em partir para o combate. Aliás, dos pajens é ele que mais lembra O Louco. Ele parece distraído e está à beira de um pequeno precipício (que lhe provocará um tombo mais hilário que fatal).

VALETE DE ESPADAS

Parece que Waite desenhou os pajens para nos lembrar da ambiguidade das cartas do Tarot, que contem em si mesma sua afirmação e sua negação, cabendo ao tarólogo em sua leitura decidir qual o significado. É como se cada uma das cartas fosse um gato de Schröndinger.

Em leituras com temas mundanos, os pajens são associados a jovens de gênero masculinos. Devido ao desequilíbrio de gêneros do Tarot nos arcanos menores, eles podem ser associados a jovens de gênero feminino. Outra associação é com filhos. Num assunto mais específico, significam o início de um processo.

Os Cavaleiros

Os cavaleiros estão associados a figura dos cavaleiros medievais, em especial os do ciclo arturiano ou carolíngio e seu simbolismo é bastante forte na cultura ocidental, representando o herói.

Estão também associados com os quatro cavaleiros do apocalipse e com os arcanos maiores A Morte e o Carro.

Os cavaleiros representam o elemento do naipe em ação. No baralho de Waite, o autor deu a cada cavalo uma posição, simbolizando o elemento ao qual o naipe está associado.

Assim, no naipe de ouros, o cavalo está parado e O Cavaleiro de Ouros apenas apresenta o escudo, como se prestasse uma homenagem antes de partir para ação. O Cavaleiro de Copas conduz o cavalo num trote o contém com firmeza, demonstrando autoridade sobre o animal. O cavalo de O Cavaleiro de Paus está sob as duas patas traseiras, indicando uma postura agressiva, que contrasta com a tranquilidade do cavaleiro e, por fim, o cavaleiro de espadas está com a espada em riste, num galope veloz.

Cavaleiro de Paius

As Rainhas

As Rainhas estão associadas ao feminino sagrado, ao Yin, à Ânima junguiana, representado a natureza, a fertilidade, e a mulher em seus vários aspectos. Vai representar a manifestação e realização plena da polaridade feminina, dentro do naipe.

Estão associadas aos arcanos maiores de natureza feminina, em especial à Sacerdotisa, à Imperatriz, a Força e à Justiça.

A Rainha de Ouros está associada à Imperatriz, numa forma mais limitada. A Imperatriz tem o poder criador, ausente na Rainha de Ouros: ela apenas mantém e faz crescer aquilo que lhe foi dado, seja uma criança ou um reino. No mundo atual, representa mulheres em posição de comando, que não aderiram ao modo de pensar masculino. Uma personalidade deste tipo é Eleonor Roosevelt, esposa do presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, indo além do papel decorativo de primeira Dama. Quando presidente do EUA ficou inválido, passou a ajudá-lo ativamente, viajando em seu lugar, como se fosse sua emissária. Entretanto agregou suas posições pessoais, mais progressistas que as de seu marido, defendendo os direitos cívicos e ajudando a consolidar Declaração Universal dos Direitos Humanos.

rainha-de-ouros

A Rainha de Espada está associada à Justiça, porém de uma maneira mais pontual e, de certa forma, masculina: julga, dá a pena e a executa. Numa leitura pode representar uma mulher fria e calculista, uma típica vilã de novela televisiva. No mundo atual são mulheres em posição de comando, com atitudes normalmente atribuídas a homens, como, por exemplo a primeira ministro de Israel nos anos 70, Golda Meir. O personagem de ficção que melhor a retrata é Miranda Priestly, do filme O Diabo Veste Prada. A nível individual pode indicar conflitos internos com papéis masculinos e femininos socialmente aceitos.

A Rainha de Copas está ligada à Sacerdotisa, representando a intuição mais pura. É a representação plena do elemento água, com sua fluidez, inconstância e mistério. No mundo atual ela pode ser representada por artistas, videntes, mulheres ligadas à cura alternativa. Louise Hay, famosa por seus livros de autoajuda focando o desenvolvimento interior é um exemplo típico. A personagem de ficção mais representativa é A Rainha do Lago, do ciclo arturiano.

A Rainha de Paus está ligada a A Força, representando a iniciativa do elemento fogo. Capaz de grandes realizações pela sua audácia, criatividade e determinação. Nela também está a sexualidade plena e manifesta, sem se preocupar com padrões de comportamento. No mundo atual, no campo político, Angela Merkel e Dilma Roussef podem ser enquadradas neste papel. No mundo artístico, Mae West e mais recentemente, Beyoncé.

Os Reis

Os Reis representam a realização plena do arquétipo masculino, o Yang, o Ânimus junguiano e estão associados diretamente a O Imperador.

Da mesma forma que a Imperatriz está ligada à Natureza, O Imperador é o construtor da Civilização. No Tarot, este casal unido cria o que poderíamos chamar de “desenvolvimento sustentável”. Assim, os Reis vão trazer cada uma das faces do Imperador dentro de cada naipe.

O Rei de Ouros representa a preocupação com o material. Seu reinado é baseado na criação de uma economia sólida. No mundo atual representa ao homem de negócios, que tanto pode ser o empreendedor criador de valor como o grande tubarão sem escrúpulos que devora concorrentes e monopoliza o mercado, sem se preocupar com consumidores, sócios ou trabalhadores. O personagem de ficção que sintetiza ambas as faces é o Tio Patinhas.

O Rei de Copas seria um rei mais preocupado com a diplomacia em relação ao exterior e ao bem estar do povo, já que para ele os sentimentos são importantes. Da mesma forma que a rainha de Espadas está pouco à vontade como o papel feminino socialmente aceito, o Rei de Copas está pouco à vontade com o papel masculino tradicional, já que é mais Yin que Yang. No mundo atual representa o artista de grande talento e projeção, mas incapaz de conciliar sua fama com a vida pessoal, ou de administrar sua fortuna, como Michael Jackson.

rei de copas

 

O Reis de Espadas é o lado masculino da Justiça, ampliando o aspecto já desenvolvido pela Rainha de Espadas. É imparcial e frio e a imagem que o retrata melhor é a do Rei Salomão, na célebre passagem em que manda dividir a criança ao meio. Embora seja justo e imparcial não demonstra compaixão. Na passagem bíblica, se a mãe verdeira não tivesse se manifestado, a criança realmente teria sido cortada ao meio e ele não teria nenhum remorso. No mundo atual seria um juiz extremamente técnico, mais preocupado com a letra da lei e os autos do que com a justiça em sentido amplo. Na ficção, quem melhor o representa é o Juiz Dredd.

O Rei de Paus representa força máxima elemento fogo. É um rei ativo, criativo e ousado. Representa liderança natural, o Rei de Paus sabe conduzir um exército, inflamando-o contra ao inimigo, ou empoderar seus colaboradores em um projeto. No mundo atual representa líder político capaz de inspirar o povo ou de um empresário criativo e carismático. O personagem histórico que melhor o representa é Alexandre, o Grande.

O Feminino no Tarot

Tarot e o Fminino

Dia 8 de Março é o Dia Internacional da Mulher. Normalmente se misturam homenagens pífias, como rosas na mesa das secretárias e também a lembrança de que, como o Primeiro de Maio, é um dia de luta.

Um posicionamento desta luta é busca de maior representatividade nos diversos meios de expressão.

Escolhi o Tarot dentre os diversos oráculos para analisar e ver como está a representatividade da mulher.

Arcanos Maiores

Dos vinte e dois arcanos, nove representam o Masculino e oito, o Feminino. Há também cinco arcanos relacionados a eventos, como O Julgamento, ou com a presença de ambos os gêneros, como Os Enamorados.

Arcanos Maiores Segundo Gênero

Femininos

Masculinos

Neutros

A Sacerdotisa

O Louco

Os Enamorados

A Imperatriz

O Mago

A Roda da Fortuna

A Força

O Imperador

A Torre

A Justiça

O Papa

O Julgamento

A Morte

O Carro

O Mundo

A Temperança

O Eremita

A Estrela

O Enforcado

A Lua

O Diabo

O Sol

É interessante notar a presença da Sacerdotisa ou Papisa (arcano II), indicando influência de religiões pagãs ou uma referência à Joana, Papisa, lenda (ou fato) veementemente negada pela Igreja Católica. De qualquer forma, representa uma força feminina num mundo essencialmente masculino.

02 A Papisa Tarot Waite2

Merece destaque A Força, que eu considero um empoderamento do feminino muito significativo, considerando que o Tarot como o conhecemos nasceu no século XIV ou XV. Esta carta representa uma jovem delicadamente segurando a boca de um leão. O leão normalmente está associado ao poder. O poder sempre é visto como atributo masculino e nesta carta vemos uma mulher domando este poder com delicadeza. A Força está nas mãos daquela que, na visão cultural da época, é mais fraca.

A Força

 

Outro ponto a observar é a carta O Mundo. O Mundo representa a harmonização total, o final da jornada evolutiva do ser humano e é representada por um ser andrógino, onde os opostos masculino e feminino foram unificados.

Arcanos menores

Nos arcanos menores temos em primeiro lugar a divisão segundo os elementos. O naipe de espadas, correspondendo ao elemento ar seria predominantemente masculino, enquanto que o naipe de copas, correspondendo ao elemento água, seria predominantemente feminino.

O naipe de paus, associado ao elemento fogo e o naipe de ouros, associado ao elemento terra, não tem associações fortes com um gênero.

As cartas da corte, O Rei e O Cavaleiro seriam as figuras masculinas, a Rainha, feminina e O Pagem seria uma criança pré púbere, onde as características sexuais não estariam plenamente desenvolvidas. Normalmente associada a um menino, pois a maioria dos pagens eram escudeiros, embora houvesse as damas de companhia.

Cavaleiro de Paius

Alguns tarots desenhados a partir do século XIX procuram equilibrar estas cartas, transformando O Pagem numa figura feminina. No Tarot Encantado, por exemplo, O Pagem torna-se A Princesa.

princesacopas

Os arcanos menores deram origem ao baralho comum onde a figura do cavaleiro foi suprimida.

Entre os baralhos usados em jogos de cartas, está o baralho espanhol que em vez de suprimir o cavaleiro, suprime a rainha, tornando-o essencialmente masculino.

Conclusão

Percebe-se que o Tarot, nos arcanos maiores, a representação do feminino é significativa, porém nos menores, ela tende mais para o masculino.

Há vários baralhos que buscam equilibrar os gêneros nos arcanos menores, substituindo O Pagem por A Princesa.

Na contra mão está o baralho espanhol, que simplesmente elimina a rainha.

O Mundo, o Tarot e o Apocalipse

tarot

A simbologia do Tarot está muito ligada à simbologia presente na Bíblia, sobretudo no livro do Apocalipse, donde são tirados diversos símbolos.

Normalmente, tarólogos tradicionalistas não aceitam esta afirmação, preferindo acreditar nas explicações mirabolantes que atribuem ao baralho uma existência milenar (às vezes anterior à invenção do papel!). Estes tarólogos não estão de todo errados, já que a simbologia está no inconsciente coletivo da humanidade e ela vai ressurgir de tempos em tempos e nas mais varidas formas, quer num conto de tradição oral, quer numa obra de arte ou ainda, como um método divinatório.

E os exegetas da Bíblia por outro lado não gostam de ver um método divinatório associado ao livro sagrado.

Quer gostem quer não, a provável origem do Tarot está em figuras cartonadas usadas com fins didáticos para o ensino de religião, moral e outros conhecimentos para crianças e adultos analfabetos. Um sistema deste tipo era as cartas de Mantegna, de meados do século XV, que provavelmente ajudaram a fornecer algumas das cartas dos arcanos maiores, como O Mago (representado por O Artista), O Papa, O Imperador, A Temperança, A Justiça, A Força, a Lua, o Sol, O Carro (representado por Marte) e o Mundo (representado pela Causa Primeira).

O Imperador do Tarot Mantegna serviu de inspiração ao Imperador de outros Tarots posteriores.

O Imperador do Tarot Mantegna serviu de inspiração ao Imperador de outros Tarots posteriores.

O Mundo como chave do Tarot

Escolhi a carta O Mundo para demonstrar esta simbologia bíblica do Tarot porque, assim como o Louco que viaja através dos arcanos, abrindo o Tarot, O Mundo, o Arcano XXI, seria a carta de fechamento, encerrando o ciclo. No entanto, o Louco, além de ser a carta zero é também a carta XXII, mostrando que a vida é um eterno devir, um processo, que não termina nem mesmo com a Morte.

O Mundo pode ser considerado a Chave do Tarot

O Mundo pode ser considerado a Chave do Tarot

O Mundo seria um símbolo de êxito supremo, a reunião de todas as polaridades e de todos os elementos. Observe a carta O Mundo do Waite. Há no centro um ser andrógino e em sua volta quatro outros seres: um leão, um touro, uma águia e um homem.

O Leão representaria o elemento Fogo; o Touro, Terra; Águia, Ar e o Homem, Água. E cada um gerará um dos naipes dos arcanos menores: Ouros corresponde à Terra; Espadas, ao Ar; Paus, ao Fogo e Copas à Água.

Contudo há que se examinar outro aspecto, já presente na carta O Julgamento: O Mundo está fortemente vinculado a uma simbologia bíblica. Os quatro animais percorrem quase todo o Apocalipse e estão associados cada um a um dos quatro cavaleiros (que provavelmente deram origem aos cavaleiros dos quatro naipes).

Apocalipse, cp 4, versículos 6 e 7

    1. também havia diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal; e ao redor do trono, um ao meio de cada lado, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás;
    2. e o primeiro ser era semelhante a um leão; o segundo ser, semelhante a um touro; tinha o terceiro ser o rosto como de homem; e o quarto ser era semelhante a uma águia voando.
Os cavaleiros do Apocalipse deram origem as cavaleiros dos arcanos menores

Os cavaleiros do Apocalipse deram origem as cavaleiros dos arcanos menores

Apocalipse, cp 6, versículos 1 a 8

    1. E vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos, e ouvi um dos quatro seres viventes dizer numa voz como de trovão: Vem!
    2. Olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava montado nele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vencendo, e para vencer.
    3. Quando ele abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivente dizer: Vem!
    4. E saiu outro cavalo, um cavalo vermelho; e ao que estava montado nele foi dado que tirasse a paz da terra, de modo que os homens se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.
    5. Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizer: Vem! E
      olhei, e eis um cavalo preto; e o que estava montado nele tinha uma balança na mão.
    6. E ouvi como que uma voz no meio dos quatro seres viventes, que dizia: Uma medida de trigo por um denário, e três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho.
    7. Quando abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivente dizer: Vem!
    8. E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava montado nele chamava-se Morte; e o inferno seguia com ele; e foi-lhe dada autoridade sobre a quarta parte da terra, para matar com a espada, e com a fome, e com a peste, e com as feras da terra.

Os animais também a aparecem na visão de Ezequiel (muitos julgam tratar-se de uma descrição de alienígenas).

Visão de Ezequiel

Visão de Ezequiel

Ezequiel cp 1 versículos 4-10

    1. Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do norte, uma grande nuvem, com um fogo revolvendo-se nela, e um resplendor ao redor, e no meio dela havia uma coisa, como de cor de âmbar, que saía do meio do fogo.
    2. E do meio dela saía a semelhança de quatro seres viventes. E esta era a sua aparência: tinham a semelhança de homem.
    3. E cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas.
    4. E os seus pés eram pés direitos; e as plantas dos seus pés como a planta do pé de uma bezerra, e luziam como a cor de cobre polido.
    5. E tinham mãos de homem debaixo das suas asas, aos quatro lados; e assim todos quatro tinham seus rostos e suas asas.
    6. Uniam-se as suas asas uma à outra; não se viravam quando andavam, e cada qual andava continuamente em frente.
    7. E a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e do lado direito todos os quatro tinham rosto de leão, e do lado esquerdo todos os quatro tinham rosto de boi; e também tinham rosto de águia todos os quatro.

Os dois sentidos do Apocalipse de São João

O Apocalipse tem dois sentidos básicos, um cosmológico (que infelizmente é levado ao pé da letra) e um individual (que ninguém, nem mesmo os religiosos, dão a devida importância).

Em vez de lê-lo como uma profecia absoluta, podemos lê-lo como a descrição de um processo de mudança interna, onde tomamos consciência da negatividade e a transcendemos. Todos somos cada um dos quatro cavaleiros e também suas vítimas. Somos também os habitantes da Nova Jerusalém.

Então, o que é o Mundo? Os gregos falam da Quintessência, o quinto elemento que seria a junção dos outros quatro. Significaria a harmonia plena.

A reunião dos quatro animais forma a Esfinge, que seria a síntese das quatro características que compõe o homem: os instintos (o Touro), o poder (o Leão), a razão (a Águia) e a emoção (o Homem).

A Esfinge representa o homem em todas as suas facetas reunidas num ser só, que o sintetizaria, da mesma forma que o Mundo.

Decifra-me ou devoro-te!

Decifra-me ou devoro-te!

A frase aparentemente terrível, “decifra-me ou devoro-te”, significa a busca pelo autoconhecimento, pois o homem que não conhece a si mesmo tende a ser destruído por um dos aspectos que não está sob seu controle: se negar ou supervalorizar seu instinto, cairá na intemperança; se se curvar demais ao poder perderá sua liberdade ou se fizer uso dele de forma tirânica poderá ser destruído; se negar a razão poderá cometer um grave erro, se a supervalorizar poderá se tornar arrogante e se negar ou supervalorizar suas emoções, poderá cair em depressão ou ter um acesso de raiva.

O Mundo nos mostra um modelo ideal que devemos almejar, onde cada um dos nossos aspectos está em harmonia com os outros e sem polaridades: bem/mal, masculino/feminino, sexo/amor, emoção/razão, governante/governado, Deus/Homem. Se o alcançarmos em sua plenitude, teremos atingido a Iluminação.

Esse seria o fim último do homem e é inatingível, mas pode ser tangenciado. Por isso o Mundo não fecha o Tarot, mas o Louco. Quando o tangenciamos, vislumbramos uma nova jornada e o Louco seguirá novamente o caminho.

50 - Causa Primeira (O Mundo)

O Mundo como Causa Primeira

14

A Roda da Fortuna, o dinheiro e a Astrologia

Roda da Fortuna Astrologia

 

Em tempos de crise a preocupação com dinheiro é uma constante. E como prova disso, algumas pessoas me procuram para saber algo sobre a Roda da Fortuna na Astrologia e sobre como isso influência na questão da prosperidade.

A Rota ou Parte da Fortuna é uma das chamadas “partes árabes” da Astrologia. As partes são pontos calculados nos mapas a partir outros dois ou três pontos distintos. O árabes deram muita ênfase às partes por serem excelentes matemáticos e tudo que pudesse ser calculado era alvo de sua predileção. Entretanto uma pesquisa detalhada mostra que estas partes já eram conhecidas dos gregos e talvez muito antes. Ptolomeu as ignorou solenemente e cita apenas a Parte da Fortuna em sua obra máxima, o Tetrabiblos e, por esta razão, foram desprezadas pelos astrólogos medievais. Todavia os árabes as resgataram.

As principais partes são:

  • A Parte ou Roda da Fortuna ou ainda Parte da Lua ou Ascendente Lunar, envolvendo o Ascendente, a Lua e o Sol;
  • A Parte do Espírito ou Parte do Sol, envolvendo também o Sol, Lua e o Ascendente, numa ordem diferente da Roda da Fortuna;
  • A Parte dos Filhos, envolvendo Júpiter, Saturno e o Ascendente;
  • A Parte Pesada ou Parte de Saturno, envolvendo a Parte da Fortuna e Saturno;
  • A parte de Júpiter ou Parte da Vitória e Triunfo, envolvendo a envolvendo a Parte do Espírito e Júpiter;
  • A Parte de Marte ou Parte da Ousadia e Coragem, envolvendo a Parte da Fortuna e Marte;
  • A Parte de Vênus ou Parte do Amor e da Concórdia, envolvendo a Parte do Espírito e Vênus;
  • A Parte de Mercúrio ou da Necessidade, envolvendo a Parte da Fortuna e Mercúrio.

Árabe geometria astrologia

A Roda da Fortuna – seu significado

Quando analisamos a Parte da Fortuna, o paralelo com a Roda da Fortuna do Tarot é inevitável. Do mesmo modo que no Tarot, a palavra “fortuna” significa destino. Segundo alguns autores, ela simboliza o que podemos fazer com nosso corpo durante esta encarnação que estamos vivendo. Assim envolve saúde, habilidades e relacionamentos interpessoais, o que acaba se tornando “prosperidade”. Outros associam ao movimento de cíclico da vida: em cima, descendo, em baixo, subindo novamente. Entretanto, com o passar do tempo, o significado de “destino” prevaleceu no Tarot e de prosperidade” na Astrologia.

Se optar por ver como “prosperidade”, não esqueça que é uma roda, portanto é dinâmica.

Para interpretá-la deve-se verificar em que signo e em que casa ela está. Há controvérsias sobre se ela forma ou não aspectos. Do ponto de vista técnico as partes guardam grande semelhança com os aspectos, já que são calculadas a partir de posições do Ascendente e dos planetas. Para mim, não tem muito sentido considerar aspectos, embora seja muito interessante se a parte da Fortuna ou qualquer outra se sobrepuser a um planeta ou um ponto focal (como se fosse uma conjunção).

Calculando a Roda da Fortuna

Há controvérsias também no seu cálculo. Ptolomeu usava um processo extremamente complexo, porém, posteriormente, ele foi simplificado para um método que produz um resultado muito próximo ao malabarismo numérico de Ptolomeu.

Um outro ponto controverso é que as partes são calculadas de forma diferente para mapas noturnos e diurnos. Ptolomeu optou por não fazer diferenças, mas, ao que tudo indica, entre os astrólogos da antiguidade ele era um dos poucos pensar assim.

Um mapa diurno, é aquele em que o sol está na parte superior do mapa, corresponde grosso modo a um mapa onde a pessoa analisada nasceu durante o dia (após as seis da manhã até as seis da tarde, aproximadamente). E noturno, o oposto. Lembre-se de considerar o horário de verão e do local de nascimento da pessoa.

Nascimentos diurnos: Fortuna = Ascendente + Lua – Sol

Nascimentos noturnos: Fortuna = Ascendente + Sol – Lua

Os valores devem ser calculados de forma absoluta. Todavia normalmente a notação para designar uma posição planetária é relativa ao signo onde está o astro ou ponto focal.

Por exemplo, o Sol está em 17le34. Isso significa que o sol está no signo de libra, à 17 graus e 34 minutos do início do signo de Leão. Para obter o valor absoluto deve-se somar 30 graus por signo a partir de Áries, até o signo imediatamente anterior ao signo considerado, no caso, Gêmeos.

Assim teremos:

Áries+Touro+Gêmeos + Câncer + 17le34 = 30º + 30º + 30º + 30º + 17º34′ = 137º:34′

Para facilitar, veja a tabela:

Valor absoluto do início do signo

Signo

Somar

Signo

Somar

Áries

Libra

180º

Touro

30º

Escorpião

210º

Gêmeos

60º

Sagitário

240º

Câncer

90º

Capricórnio

270º

Leão

120º

Aquário

300º

Virgem

150º

Peixes

330º

 

Exemplo de cálculos

Tomemos o mapa a seguir:

Roda da Fortuna Diurno

Na tabela a seguir vemos o nome dos signos, seus glifos (representações gráficas) e suas abreviações. As abreviações são duas letras tiradas do nome latino do signo.

 

Signo

Glifo

Abreviação

Áries

a

ar

Touro

b

ta

Gêmeos

c

ge

Câncer

d

ca

Leão

e

le

Virgem

f

vi

Libra

g

li

Escorpião

h

sc

Sagitário

i

sa

Capricórnio

j

cp

Aquário

k

aq

Peixes

l

pi

O mapa é diurno. O Sol está a 25cp00, ou seja, 25º de Capricórnio. O Ascendente está a 9pi54, ou seja 9º 54′ de Peixes e a Lua está a 19sc04, ou seja 19º 04′ de Escorpião.

Fortuna = Ascendente + Lua – Sol

Fortuna = 9pi54 + 19sc04 – 25cp00

Em valores absolutos:

Fortuna = 339:54 + 229:04 – 295

Fortuna = 586:58 – 295

Fortuna = 273:58

A Roda da Fortuna vai estar em 273º58′, a partir de 0º de Áries. Para sabermos em que signo está, devemos dividir os graus por 30 (“tamanho” de cada signo). Os minutos serão considerados posteriormente.

Posição = 273 ÷ 30 = 9 com resto 3.

A roda da fortuna estará 3º58′ após o nono signo. Ou em 3º58′ do décimo signo. O décimo signo é Capricórnio. Então, está em 3cp58.

Abaixo vemos o mapa com a roda da fortuna posicionada.

Roda da Fortuna Diurno 2

Agora um mapa noturno.

Neste mapa, temos o Ascendente em 21 ta 55, o Sol em 23 vi 48 e a Lua em 27 pi 16. Em valores absolutos.

Roda da Fortuna Noturno

Asc = 51º55′; Sol = 173º40; a Lua = 357º16′

Para nascimentos noturnos: Fortuna = Ascendente + Sol – Lua

Fortuna = 51º55′ + 173º40 – 357º16′

Fortuna = 224º95′ – 357º16′

Observe duas coisas. Primeiro a soma dos minutos é maior que 60. Tire 60 de 95 e some 1 à parcela dos graus.

Fortuna = 225º35′ – 357º16′

Note também que o valor da Lua é maior que a soma do Ascendente com Sol. Isso significa que o valor absoluto da Roda da Fortuna será negativo.

Fortuna = – 132º19′

Para corrigir some 360º ao resultado. Como temos minutos, deveremos proceder da seguinte forma:

Fortuna = 360º – 132º19′

Fortuna = 359º60′ – 132º19′

Fortuna = 227º41′

Que corresponderá a 17li41, ou 17º41 de Libra.

Roda da Fortuna Noturno2

Interpretando a Roda da Fortuna.

A Roda da Fortuna pode ser vista como algo que vem “dar uma força” à casa ou signo regente de uma casa onde ela se instala, como se fosse um vento benfazejo.

A Tabela a seguir mostra uma relação das interpretações das casa e dos signos.

Roda  da Fortuna

Casa

Interpretação

Signo

Interpretação

I
Personalidade
Conquistas pessoais
que destacam o indivíduo perante a sociedade.
Áries
Positivo: Pessoa com poder e iniciativa. Faz primeiro e vê o resultado depois.
Acumula experiência e não se dobra diante do
fracasso.
Negativo: Pessoa que se arrisca demais e não
dá o braço a torcer, mesmo diante de evidências
contrárias.
II
Posses
Valores pessoais em
jogo. Talentos diversos em evidência.
Touro
Positivo: Pessoa com paciência e determinação. Acredita que devagar se vai ao longe.
Negativo: Pessoa com baixa iniciativa.
Às vezes coloca a perfeição (exagerada) na
frente dos prazos. Lento para mudar de rumo
III
Comunicação
Pensamento abstrato e
comunicação elaborada. Filosofia e sabedoria em
alta.
Gêmeos
Positivo: Pessoa intelectualizada, um filósofo. Busca realizações no conhecimento. Questionadora.
Negativo: Confusão mental. Questionamento sem base. Revolta vazia.
IV
O Lar
Realização
voltada para a família ou sua extensão (a Nação,
por exemplo)
Câncer
Positivo: Pessoa voltada para a família.
Negativo: Auto sacrifício exagerado. Não consegue olhar para si mesmo.
V
Prazer/Criatividade/Filhos
Criatividade
favorecida. Obras de Arte como fonte de renda. Prazer na atividade
que lhe traz a prosperidade (faz o que gosta e ainda ganha
dinheiro).
Leão
Positivo: Pessoa com
talento artístico. Estilo próprio para criar coisas.
Gosta de luzes sobre ele(a).
Negativo: Arrogância.
Má avaliação de suas próprias
condições o que o leva a ver um brilho que não
tem.
VI
Trabalho / Saúde
Trabalho diligente e
constante, sem sobressaltos. Boa saúde
Virgem
Positivo: Pessoa trabalhadora, sistemática e ordeira. Grande capacidade de organização.
Negativo: Falta de imaginação. Preso a regras, às vezes que ele mesmo cria.
VII
Contratos / Sociedade / Casamento
Consegue atrair os
parceiros ideais para os negócios. Possível
casamento por interesse.
Libra
Positivo: Pessoa que trabalha com harmonia. Equilibrada.
Negativo: Pessoa que pondera muito.
VIII
A posse dos outros
O dinheiro pode vir de
uma herança, ou de outras pessoas (isso pode significar
tanto investidores como caridade alheia)
Escorpião
Positivo: Pessoa que se lança apaixonadamente em um projeto.
Negativo: Depressão gerada pelo fracasso de uma tentativa.
IX
Sabedoria / Espiritualidade
Desapego material.
Sagitário
Positivo: Pessoa com visão ampla dos projetos. Capacidade de ver muitos lados da questão pelo ótica mais humana.
Negativo: Generosidade em excesso.
X
Realização / Carreira
Favorece o crescimento
na carreira
Capricórnio
Positivo: Pessoa com bom controle sobre as finanças.
Negativo: Avareza
XI
Amigos / Grupos / Organizações
Dinheiro pode vir por
meio de associações, no estilo de fundos mútuos,
sindicatos, associações de investidores, onde a
pessoa é um dos membros.
Aquário
Positivo: Pessoa capaz
de fazer grandes realizações pela humanidade.
Negativo: Avaliações irrealística
dos recursos necessários. Incapaz de perceber intenções
ocultas de seus associados.
XII
Inconsciente
Legado para gerações
futuras
Peixes
Positivo: Pessoa capaz de ver a necessidade dos outros a manipular recursos para resolvê-la.
Negativo: Generosidade em excesso.