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Motivação: O que faz você sair da cama todas as manhãs?

acordando

Sete horas da manhã. Três pessoas em lugares diferentes escutam o seu despertador. A primeira, acorda, resmunga alguma coisa, aperta o botão “soneca” e vira para o outro lado. Após três cochilos, levanta-se de mal humor, lembrando-se de que se não for ou chegar atrasado vai perder o emprego. A segunda acorda de bom humor, pois sabe que mais um dia trabalhado será um dia a menos para suas férias que programou. Pensa na viagem que fará e isso o enche de energia. A terceira, levanta-se e repassa a agenda, lembrando-se do problema que pede sua ação. É um problema complexo que exigirá todo o seu talento. Isso faz ir confiante para o trabalho, pois um problema nunca é igual ao outro.

Temos aí três estilos de motivação: fugir da dor, ir em direção ao prazer e o desafio. Costumo brincar que nossa motivação é burro com a cenoura na frente (busca do prazer), um pepino atrás (fuga da dor) e uma cerca para pular (o desafio).

Qual deles é o seu? E como anda sua motivação hoje?

Fugindo da dor

A pessoa que se motiva por fugir da dor só vai fazer algo quando a dor de não fazer será maior que dor de fazer. A primeira pessoa, por exemplo, só saiu da cama quando lembrou-se da possibilidade de perder o emprego. Isso é um exagero sem dúvida. No dia a dia não fazemos conjeturas, pelo menos não tão elaboradas, mas, no fundo, estamos fugindo da dor quanto temos este comportamento.

Isso me faz lembrar da história, inúmeras vezes contada:

Um  cachorro estava deitado num chão de madeira ao lado de um  homem. O cão gemia agudamente sem que o homem se importasse. Uma moça, vendo o sofrimento do cão, aproximou-se do homem e disse:

 – Deve haver algo errado com seu cachorro.

 O homem espondeu pra ela:

 – É que onde ele está deitado tem um prego.

 A moça, inconformada, perguntou:

 – E por que ele não se levanta?

– Porque não está doendo suficiente para ele se levantar.

cachorro-velho

O cão  estava motivado para fugir da dor. Ele não se levantava porque a dor não era suficientemente grande para fazer uma ação diferente.

Este tipo de motivação é útil quando realmente um problema a ser feito que demanda uma ação nossa. Ou seja, quando o prego dói o suficiente. Há riscos neste tipo de motivação, se for tomada como um padrão comportamental. Um é que precisamos da dor para nos movimentar. Um exemplo disso é Elvis Presley. Quando ele estava bem financeiramente, ele não tinha motivação pra fazer seus shows. Então ele comprava alguma propriedade, que gerava uma dívida que ele não podia pagar. Então ele produzia um disco ou filme.

Esta história provavelmente é uma lenda urbana, mas se não for verdadeira, é muito boa como exemplo. É possível que nós inconscientemente façamos isso para nos manter motivados num emprego que não nos satisfaça ou numa relação destrutiva, por exemplo.

O outro risco é a resiliência. Grosso modo, resiliência é a capacidade de nos adaptarmos ao sofrimento. Ela é útil quando estamos numa situação da qual não podemos realmente fugir, numa catástrofe ou quando profissionalmente temos que lidar com a dor alheia (médicos, por exemplo).

Será que realmente este é um problema do qual eu não possa fugir? Ou será que não estou vendo alternativas por ter me acostumado à dor, como cão que preferia gemer a mudar de posição?

Isso pode ser chamado de “zona de conforto”. Estranho, não é? Estamos falando em dor e zona de conforto? Sim. A dor conhecia pode ser melhor do que a incerteza. Que virá no lugar pode ser melhor mas também pode ser pior. Um exemplo clássico: estou empregado e ganho razoavelmente bem, mas faço algo que detesto. Isso é uma dor ao qual já acostumei. Daí alguém me oferece uma sociedade num empreendimento, que será algo que gosta, com promessas de ganho após um de no mínimo o dobro que ganha onde trabalha. Nesse ano, é lógico, vai haver um investimento de tempo e dinheiro cujo retorno só virá no final. E também há um certo risco de algo dar errado. Aí está será preferível a dor que conheço do que a dor que eu não conheço (o risco de quebrar).

Todavia esta pode ser uma avaliação errônea. Não há nenhuma atividade que não tenha risco. Podemos ser demitidos do emprego, por exemplo. O empreendimento pode estar muito bem estruturado e o risco pode ter sido minimizado. Há o que se chama risco calculado: tentar ver uma alternativa caso o pior aconteça. Por exemplo: será que se não der certo eu consigo uma recolocação profissional? Se a resposta for não, desista do negócio e faça urgente um curso de reciclagem, pois o risco de perder o emprego é grande. Mesmo assim é uma mudança que o fará sair de sua zona de conforto.

Ir em direção a algo

Vamos ver a motivação de ir em direção a alguma coisa. Se eu tenho em mente o que eu quero e vou atrás isso me dará uma motivação, mesmo para fazer o que eu não gosto. Por exemplo, para fazer um jardim vou ter que carpir o terreno. Isso não é agradável, mas eu quero ver o jardim, eu capino. Vou economizar pra as férias do ano. Vou trabalhar para comprar um carro novo.

 

BURRO

O risco deste tipo de motivação é quanto se atinge a meta, ela se esvai. Vou contar uma história, para ilustrar:

Uma conhecida loja fez um prêmio regional, para estimular as vendas na região nordeste. O prêmio seria o melhor vendedor da região, com etapas, por loja, cidade, estado e de toda região. Um vendedor de uma das lojas, com desempenho mediano, começou a perseguir o prêmio ganhando todas as etapas até ser considerado o melhor vendedor do nordeste. Um mês de pois retornou ao mesmo nível de antes. O chefe de estranhou e perguntou:

 – E aquele entusiasmo todo? Onde foi parar?

 – É que eu já ganhei o prêmio – foi a resposta.

Um outro risco é  pessoa passar a perseguir objetivos apenas para ter algo, que despreza logo em seguida. Em si isto não é um problema a não ser que a pessoa um dia pare para avaliar sua vida e a sinta como vazia. O que ocorre com bastante frequência.

Buscando desafios

O terceiro tipo é o que busca desafios. Este tipo de motivação pode ser confundido como o segundo (ir em direção a alguma coisa) e de certa forma tem uma ligação. Por exemplo, imagine que o vendedor do exemplo acima não estivesse buscando o prêmio, mas uma forma de se superar. E o prêmio seria penas uma mostra de sua capacidade. Normalmente esta é a motivação dos atletas e dos gamers. 

Há uma variante também: o buscador de impossíveis. Vamos supor que no caso do vendedor acima, o chefe dele tenha dito, com um certo desdém, que era impossível para ele ter um prêmio de melhor vendedor da loja. Então ele prova o contrário, ganhando o prêmio regional. 

Atletas em geral são motivados desta forma: o desafio de superar ao si mesmo e ao adversário. 

O personagem Sherlock Holmes é bom exemplo disso. Ele só estava bem se tinha um enigma pra decifrar. 

O risco deste tipo de motivação é a necessidade de existir um desafio. Se ele não há como a pessoa age? Ela pode se acomodar ou se frustrar. Sherlock Holmes tinha crises de depressão se não tinha um caso para resolver.

O Quarto tipo

Qual realmente é o melhor tipo de motivação? Normalmente temos uma mistura de um ou mais tipos, embora um seja predominante. O ideal e imaginar o burrinho com pepinos, cenouras e cercas que o farão ir mais longe.

Entretanto há um quarto tipo de motivação. Se você reparou, em cada um dos jeitos de se motivar, o objeto da motivação acaba quando atingido. Se não há dor, não preciso fugir dela, se atingir aquilo que queria, tenho que procurar outra coisa, se não há desafio, fico parado.

 Vamos colocar um ingrediente a mais: o Propósito.

Viver vida com um propósito ou uma missão é quando escolhemos um motivo para que a nossa vida tenha um sentido e alinhamos nossas escolhas com este motivo, ou propósito.

Não um propósito qualquer, mas um propósito de alma, que nos definiria para o universo e principalmente para nós mesmos. Tendo um propósito de alma, pepinos, cenouras ou cercas passam a ser de menor importância dentro deste contexto.

Isso porque é ele que nos motiva e tudo desejarmos que estiver alinhado com nosso propósito (a cenoura e a cerca) flui naturalmente. Se por acaso nos desviamos deste propósito (aparece o pepino), tentaremos de tudo para voltar para ele.

Mas como descobrir o nosso propósito de alma?

No vídeo a seguir, de Régia Prado, uma gravação de um workshop feito em fevereiro de 2015, vemos um método para chegar neste propósito de uma maneira simples e até lúdica.

Comece a viver com um propósito!