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Tarot – As Cartas da Corte

Banquete

Dos arcanos menores do Tarot, as cartas da corte têm um significado especial, visto que, antes do Tarot de Waite se popularizar, eram, junto com os ases, as únicas cartas com figuras que pudessem ser interpretadas de imediato. Outro fator é que elas representam pessoas e podem ser facilmente associadas a tipos humanos.

Há quatro cartas da corte em cada naipe: O Pajem ou Valete, O Cavaleiro, A Rainha e O Rei. São figuras comuns numa corte medieval ou renascentista.

Os Pajens ou Valetes

Os Pajens representam jovens ou crianças que fazem pequenos serviços domésticos. A maioria dos pajens são meninos e os mais habilidosos eram designados para serem escudeiros, uma forma de treiná-los para serem os futuros cavaleiros. As meninas eram destinadas a serem damas de companhia para mulheres nobres ou seus filhos, por isso se associa o termo “pajem” com pessoas que cuidam de crianças.

pajens

Eles estão relacionados com O Louco e são, junto como os ases, anunciadores do tema do naipe, como O Louco anuncia os arcanos maiores. Porém, diferente de O Louco, eles estão numa situação mais estável, já estão num ambiente palaciano. É interessante observar a posição dos pés dos pajens em cada naipe mostrando a estabilidade de cada um.

Nos naipes de Copas e Paus os dois pés estão firmes no chão e em Espadas e Ouros apenas um pé está apoiado. Isso parece que contraria a natureza dos elementos ou dos naipes. Copas, representando a água e Paus, o Fogo, são elementos instáveis e representam respectivamente os sentimentos e a criatividade. Ouros por sua vez, representa ao elemento Terra e seria o mais estável dos elementos, entretanto O pajem de Ouros parece carregar o escudo com excessiva delicadeza e apenas um de seus pés está firme no chão. Já Espadas, representa o Ar, um elemento mutável, mas também representa a mente, e nas leituras do Tarot, os conflitos. O pajem de Espadas contudo não parece muito interessado em partir para o combate. Aliás, dos pajens é ele que mais lembra O Louco. Ele parece distraído e está à beira de um pequeno precipício (que lhe provocará um tombo mais hilário que fatal).

VALETE DE ESPADAS

Parece que Waite desenhou os pajens para nos lembrar da ambiguidade das cartas do Tarot, que contem em si mesma sua afirmação e sua negação, cabendo ao tarólogo em sua leitura decidir qual o significado. É como se cada uma das cartas fosse um gato de Schröndinger.

Em leituras com temas mundanos, os pajens são associados a jovens de gênero masculinos. Devido ao desequilíbrio de gêneros do Tarot nos arcanos menores, eles podem ser associados a jovens de gênero feminino. Outra associação é com filhos. Num assunto mais específico, significam o início de um processo.

Os Cavaleiros

Os cavaleiros estão associados a figura dos cavaleiros medievais, em especial os do ciclo arturiano ou carolíngio e seu simbolismo é bastante forte na cultura ocidental, representando o herói.

Estão também associados com os quatro cavaleiros do apocalipse e com os arcanos maiores A Morte e o Carro.

Os cavaleiros representam o elemento do naipe em ação. No baralho de Waite, o autor deu a cada cavalo uma posição, simbolizando o elemento ao qual o naipe está associado.

Assim, no naipe de ouros, o cavalo está parado e O Cavaleiro de Ouros apenas apresenta o escudo, como se prestasse uma homenagem antes de partir para ação. O Cavaleiro de Copas conduz o cavalo num trote o contém com firmeza, demonstrando autoridade sobre o animal. O cavalo de O Cavaleiro de Paus está sob as duas patas traseiras, indicando uma postura agressiva, que contrasta com a tranquilidade do cavaleiro e, por fim, o cavaleiro de espadas está com a espada em riste, num galope veloz.

Cavaleiro de Paius

As Rainhas

As Rainhas estão associadas ao feminino sagrado, ao Yin, à Ânima junguiana, representado a natureza, a fertilidade, e a mulher em seus vários aspectos. Vai representar a manifestação e realização plena da polaridade feminina, dentro do naipe.

Estão associadas aos arcanos maiores de natureza feminina, em especial à Sacerdotisa, à Imperatriz, a Força e à Justiça.

A Rainha de Ouros está associada à Imperatriz, numa forma mais limitada. A Imperatriz tem o poder criador, ausente na Rainha de Ouros: ela apenas mantém e faz crescer aquilo que lhe foi dado, seja uma criança ou um reino. No mundo atual, representa mulheres em posição de comando, que não aderiram ao modo de pensar masculino. Uma personalidade deste tipo é Eleonor Roosevelt, esposa do presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, indo além do papel decorativo de primeira Dama. Quando presidente do EUA ficou inválido, passou a ajudá-lo ativamente, viajando em seu lugar, como se fosse sua emissária. Entretanto agregou suas posições pessoais, mais progressistas que as de seu marido, defendendo os direitos cívicos e ajudando a consolidar Declaração Universal dos Direitos Humanos.

rainha-de-ouros

A Rainha de Espada está associada à Justiça, porém de uma maneira mais pontual e, de certa forma, masculina: julga, dá a pena e a executa. Numa leitura pode representar uma mulher fria e calculista, uma típica vilã de novela televisiva. No mundo atual são mulheres em posição de comando, com atitudes normalmente atribuídas a homens, como, por exemplo a primeira ministro de Israel nos anos 70, Golda Meir. O personagem de ficção que melhor a retrata é Miranda Priestly, do filme O Diabo Veste Prada. A nível individual pode indicar conflitos internos com papéis masculinos e femininos socialmente aceitos.

A Rainha de Copas está ligada à Sacerdotisa, representando a intuição mais pura. É a representação plena do elemento água, com sua fluidez, inconstância e mistério. No mundo atual ela pode ser representada por artistas, videntes, mulheres ligadas à cura alternativa. Louise Hay, famosa por seus livros de autoajuda focando o desenvolvimento interior é um exemplo típico. A personagem de ficção mais representativa é A Rainha do Lago, do ciclo arturiano.

A Rainha de Paus está ligada a A Força, representando a iniciativa do elemento fogo. Capaz de grandes realizações pela sua audácia, criatividade e determinação. Nela também está a sexualidade plena e manifesta, sem se preocupar com padrões de comportamento. No mundo atual, no campo político, Angela Merkel e Dilma Roussef podem ser enquadradas neste papel. No mundo artístico, Mae West e mais recentemente, Beyoncé.

Os Reis

Os Reis representam a realização plena do arquétipo masculino, o Yang, o Ânimus junguiano e estão associados diretamente a O Imperador.

Da mesma forma que a Imperatriz está ligada à Natureza, O Imperador é o construtor da Civilização. No Tarot, este casal unido cria o que poderíamos chamar de “desenvolvimento sustentável”. Assim, os Reis vão trazer cada uma das faces do Imperador dentro de cada naipe.

O Rei de Ouros representa a preocupação com o material. Seu reinado é baseado na criação de uma economia sólida. No mundo atual representa ao homem de negócios, que tanto pode ser o empreendedor criador de valor como o grande tubarão sem escrúpulos que devora concorrentes e monopoliza o mercado, sem se preocupar com consumidores, sócios ou trabalhadores. O personagem de ficção que sintetiza ambas as faces é o Tio Patinhas.

O Rei de Copas seria um rei mais preocupado com a diplomacia em relação ao exterior e ao bem estar do povo, já que para ele os sentimentos são importantes. Da mesma forma que a rainha de Espadas está pouco à vontade como o papel feminino socialmente aceito, o Rei de Copas está pouco à vontade com o papel masculino tradicional, já que é mais Yin que Yang. No mundo atual representa o artista de grande talento e projeção, mas incapaz de conciliar sua fama com a vida pessoal, ou de administrar sua fortuna, como Michael Jackson.

rei de copas

 

O Reis de Espadas é o lado masculino da Justiça, ampliando o aspecto já desenvolvido pela Rainha de Espadas. É imparcial e frio e a imagem que o retrata melhor é a do Rei Salomão, na célebre passagem em que manda dividir a criança ao meio. Embora seja justo e imparcial não demonstra compaixão. Na passagem bíblica, se a mãe verdeira não tivesse se manifestado, a criança realmente teria sido cortada ao meio e ele não teria nenhum remorso. No mundo atual seria um juiz extremamente técnico, mais preocupado com a letra da lei e os autos do que com a justiça em sentido amplo. Na ficção, quem melhor o representa é o Juiz Dredd.

O Rei de Paus representa força máxima elemento fogo. É um rei ativo, criativo e ousado. Representa liderança natural, o Rei de Paus sabe conduzir um exército, inflamando-o contra ao inimigo, ou empoderar seus colaboradores em um projeto. No mundo atual representa líder político capaz de inspirar o povo ou de um empresário criativo e carismático. O personagem histórico que melhor o representa é Alexandre, o Grande.