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Astrologia: As Polaridades e os Signos

Quando uma pessoa lê as características de seu signo, às vezes se pergunta como alguém chegou à conclusão de que, por exemplo, Aries é cheio de iniciativa, Touro é resistente à mudança e Sagitário é entusiasmado. Quando a Astrologia nasceu, não havia métodos estatísticos e, provavelmente, estas características nasceram da especulação filosófica, baseada nos conceitos normalmente aceitos na época e de uma observação qualitativa da natureza humana.Assim, estas características tem origem numa tradição que remonta à antiguidade e são construídas a partir de três fatores, presentes na filosofia a época em muitas culturas: a polaridade, os elementos e as qualidades de cada signo.Polaridade

A primeira característica que se costuma analisar em astrologia é a polaridade. A maneira humana de olhar o mundo é dual. Tendemos a pensar em termos de opostos e tentamos agrupar as coisas de acordo com esta visão.

A provável origem disso está no próprio princípio filosófico que norteou a formação da Astrologia: o homem se viu entre dois extremos: o Céu acima de sua cabeça e a Terra abaixo de seus pés e ele intermediando esta relação. Em vários mitos, sobretudo no Ocidente, Deus ou deuses agem na Terra através dos humanos ou motivados por eles. Seria nosso dever ocupar, e impor nossa criatividade sobre o planeta, e tal como Ele, fazendo surgir coisas novas.

Mesmo nos dias de hoje, onde aparentemente superamos esta visão de que há um Deus acima da nós, a humanidade busca dominar o planeta, e como nos diz Caetano, erguendo e destruindo coisas belas.

Assim estabelecemos a primeira polaridade: Céu e Terra.

O Céu é visto como criativo e ativo e a Terra, como receptiva e fértil.

A segunda forma de ver a polaridade, quer a sociedade seja matriarcal, patriarcal ou igualitária, é masculino e feminino.

A primeira associação que surge é Céu com o masculino e Terra, com o feminino (isso não é absoluto, pois pode haver culturas onde isso é inverso). E também o primeiro problema: a hierarquização entre os sexos e o estabelecimento de papéis aceitos para homens e mulheres.

Nos dias de hoje, onde há uma preocupação em tornar a sociedade mais igualitária, rompendo a discriminação da mulher, isso parece se opor a este esforço.

Jung coloca as coisas de forma mais abstrata, graças ao conceito de Arquétipo. Há um princípio masculino e um princípio feminino, traduzido por Animus e Anima respectivamente. Esse conceito popularmente é conhecido como lado masculino das mulheres (Animus) e lado feminino do homens (Anima).

Então, quando falarmos de polaridade feminina ou masculina estamos nos referindo a estes princípios arquetípicos.

Outra forma de pensar em polaridades é Dia e Noite ou vigília e sono. Apesar do Céu revelar-se por inteiro à noite, o dia é que está a ele associado. Durante o dia fazemos nosso trabalho (ativo) e à noite dormimos (passivo). E a noite é repleta de perigos, reais ou imaginários. Nela vivem os vampiros, lobisomens e outras entidades malignas que desparecem ao primeiro raiar do sol.

Aqui parece outra distinção importante, que radicaliza muitas vezes o discurso de polaridades:Bem e o Mal. Na sociedade judaico-cristã onde estamos inseridos, isso é tratado de forma absoluta e agrava o primeiro problema que apontamos: se colocamos na mesma tabela, o Mal ficará na mesma coluna do Feminino. É o mito de Eva tentando Adão e a colocação da mulher como origem do mal.

Felizmente, em Astrologia a questão de Bem e Mal está fora de questão. Não há julgamentos, apenas se analisam as correlações existentes, apontando facilidades e dificuldades (ou desafios). Os astros não nos julgam, só nos dizem (simbolicamente) algo.

Por fim a polaridade Yang (Céu) e Yin (Terra) da filosofia Chinesa ou positivo e negativo no Ocidente. Embora possamos pensar em termos de energia circulando entre polos (de uma bateria ou de um imã), a palavra negativo provoca algumas reações de rejeição de nosso inconsciente.

Pensar em positivo e negativo normalmente nos leva a ver as coisas de modo absoluto e estático. No meu ponto de vista, pensar em termos de processo em andamento é mais útil. O próprio símbolo de Yin e Yang nos mostra que nenhum dos dois conceitos é absoluto e que há uma constante mutação e transformação.

YinYang

Escolhemos então tabelar os signos e suas polaridades em Yang e Yin e Masculino e Feminino (no sentido de princípio arquetípicos). As outras polaridades (Céu/Terra, ativo/passivo, positivo/negativo, etc..) podem ser deduzidas, se houver necessidade.

Signos
Masculino / Feminino
Yang/
Yin
Aries
Masculino
Yang
Touro
Feminino
Yin
Gêmeos
Masculino
Yang
Câncer
Feminino
Yin
Leão
Masculino
Yang
Virgem
Feminino
Yin
Libra
Masculino
Yang
Escorpião
Feminino
Yin
Sagitário
Masculino
Yang
Capricórnio
Feminino
Yin
Aquário
Masculino
Yang
Peixes
Feminino
Yin

Este é o primeiro elemento a se levar em conta numa interpretação de um horóscopo. Saber a polaridade de um signo, quer ele seja solar, lunar, ascendente ou abrigue um planeta.

Quais as características de cada uma das polaridades Como optamos pela ênfase na dupla Yang e Yin, vamos consulta o I Ching. O Hexagrama mais carregado de Yang é Chien formado por seis linhas inteiras (hexagrama 1). Uma das traduções possíveis para Chien é “O Criativo” e corresponde ao Céu.

chien o criativo

Ele representa o poder criativo da divindade, seja ela qual for (ou do Universo, se escolhermos uma interpretação não teísta). As interpretações deste hexagrama estão relacionadas ao poder e à atividade em movimento no tempo e no espaço. Uma força de ordem cosmológica.

Como tudo na visão esotérica ela terá seu correspondente no mundo terreno, onde vivem a humanidade: atividade e criatividade oriunda do poder da sabedoria, da liderança e por fim da força, que se impõe por carisma ou poder pessoal.

Quem representa melhor esta imagem é um imperador, sábio, benevolente, mas poderoso e inatingível, podendo se tornar um tirano. Benevolência e tirania seriam os extremos. Na vida real, raramente encontramos um Gandhi ou um Adolf Hitler.

Os signos com este atributo tem um forte componente de iniciativa e criatividade, como atributos positivos e como negativos podemos encontrar arrogância e autoritarismo.

O hexagrama mais fortemente Yin é Kun, o hexagrama 2, formado por seis linhas interrompidas. A tradução normalmente aceita é “O Receptivo” e corresponde à Terra. Ele é o complemento de Chen (não seu oposto). Sem alguém que receba a energia emanada do poder, não há realização. O Reiki só se torna possível se a energia universal (Rei) se transformar na energia vital (Ki).

Kun o receptivo

Em diversas mitologias, a Terra não é um resultado de um ato de criação, mas da separação de princípios antes firmemente ligados. A necessidade de haver movimento para assim haver evolução faz com que esta força antes una, se divida em duas, de polaridades opostas, para que haja troca e, na troca, o movimento, criando todas as coisas.

Kun seria o mundo manifesto, o mundo onde a vida e a evolução são possíveis, não como uma ilusão, mas como um processo. Num mundo em perfeita harmonia, o Criativo dá e o Receptivo acolhe, e assim são geradas todas as coisas.

No mundo da humanidade, o que seria Kun? Sem pensar em conotações sexistas, seriam os valores normalmente atribuídos ao feminino: a intuição, a sensibilidade e a maternidade (tanto no sentido real como no figurado, por exemplo a geração de uma obra de arte).

O lado negativo seria a negação desta harmonia, quando estas duas forças estão em desequilíbrio, ou seja quando Chen tenta controlar Kun ou quando Kun tenta se sobrepor a Chen. Então Kun se torna vingativa, ciumenta e nega sustento (físico e emocional) à sua prole.