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Gifu – A Runa do Perdão

A runa Gifu ou Gyfu, representada por uma cruz em X.

GYfu, Gebo

Normalmente está associada a “dar um presente” e deu origem a palavra inglesa gift, como nestes versos, tirados do poema rúnico (em tradução livre):

Um presente demonstra valor
Poderoso é aquele que o pode dar
Feliz é proscrito que o recebe
Grande é o momento, o povo percebe

Os versos parecem estar ligado apenas ao ato de dar e receber presentes.

gift-gifts

Todavia, a palavra “proscrito” nos lança uma dúvida. Por que “proscrito” para aquele que recebe um presente? E por que um grande momento para o povo todo perceber?

Houve uma fase do povo Viking em que ele era nômade. Para uma tribo nômade, os crimes cometidos por um membro do grupo só podiam ser punidos de dois jeitos: com a morte, em casos mais graves, e com a exclusão do grupo, para crimes mais leves, já que não havia como aprisioná-lo.

O criminoso continuaria no convívio do povo, mas as pessoas o colocariam de lado, não conversando com ela. Ele seria um “proscrito”. Isso duraria até o momento em que qualquer pessoa desse um presente para ele.

Esta é a origem da palavra “perdoar”, que significa “dar para” (no inglês “forgive” – give for).

O proscrito então estará “perdoado”.

Como traduzir isso para os dias de hoje? Vivemos em sociedade e muitas vezes somos obrigados a conviver com pessoas que nos prejudicaram. Então os “proscrevemos” de nossa vida, ou seja, passamos a evitar a pessoa, se possível não o cumprimentamos, falamos o mínimo necessário. Todavia este convívio diário nos traz sempre a lembrança daquela mágoa e temos o “ressentimento” (no sentido exato da palavra re-sentimos aquela mágoa). Este resssentimento só nos traz prejuízos. A pessoa que nos fez mal nada sofre. Então temos que aliviar o fardo, perdoando a pessoa. Isso não significa que vamos voltar a confiar na pessoa ou reatar os laços de amizade com ela. Só queremos que o nosso ressentimento vá embora.

Perdoar não significa nem esquecer nem desculpar o comportamento. Nem que você deva gostar desta pessoa. Significa “deixar ir”.

Se você não perdoa você gasta uma energia sua para manter o mau sentimento. Sempre quem perde é quem tem o mau sentimento.

O não-perdão cria um vínculo desnecessário.

Há um exercício interessante, que podemos associar a esta runa.

  • Imagine que você está numa caverna e vê a pessoa com quem você tem uma diferença entrar.

  • Imagine que existe um cordão ligando você a esta pessoa (é o link do não-perdão).

  • Imagine que você está cortando este link. Nesta fase, alguns pessoas sentem um vazio muito grande. Há algo de você nele.

  • Imagine agora que entra na caverna uma figura que é você evoluído, aquele que já superou este problema.

  • Conecte-se a você mesmo por este link.

  • Sinta o benefício de receber a energia de você mesmo evoluído.

  • Agora imagine que a pessoa ligando-se ao outro eu dele evoluído. Ele agora compreende o por que de seu comportamento e decide deixá-lo só.

  • Imagine-o indo embora da caverna.

  • Sinta o alívio que isto representa.

  • Agora faça um teste. Imagine que você o encontra num ambiente qualquer.

Que sentimentos virão? Se forem negativos refaça o exercício. Se forem neutros (ele é como qualquer outro) ou positivos (até que ele não é um mau sujeito), é sinal que funcionou.

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Alvaro Domingues
 

Filósofo, escritor e oraculista.