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Arquivos Mensais: maio 2016

O Efeito Cassandra – Na Calada da Voz

O Efeito Cassandra – Na Calada da Voz

Concepção Geral: Claudia Schapira e Luaa Gabanini,
Direção e Dramaturgia: Claudia Schapira,
Performer: Luaa Gabanini,
Assistência de Direção: Maria Eugenia Portolano,
Direção Musical: Eugenio Lima,
Direção de arte e vídeo: Bianca Turner,
Figurino :Claudia Schapira,
Criação e Preparação de Voz: Maria Isabel Setti, Andreia Drigo e Roberta Estrela D’Alva,
Produção executiva : Núcleo Bartolomeu de Depoimentos.

Neste momento em que uma menina foi estuprada por trinta homens e se tornou um símbolo da opressão de todas as mulheres e até de homens que as defendem, com justa indignação, esta peça coloca em evidência exatamente o silêncio imposto às mulheres.

O espetáculo parte da lenda de Cassandra que ousou dizer não ao assédio de Apolo e teve como maldição justamente a sua voz: teria o dom da profecia, mas tudo que dissesse seria ignorado.

A metáfora é perfeita para os dias de hoje, onde as politicas direcionadas ao feminino são postas de lado, onde se propõe projetos de lei que restringem e até suprimem direitos duramente conquistados e um estupro coletivo transforma-se em bandeira contra a cultura do estupro que logo em seguida é pisada como se fosse “mimimi de feministas” ou é maculada e reerguida para justificar uma punição catártica aos estupradores (e assim se esquece).

No palco Luaa Gabanini, numa performance excelente, destrincha “profecias”, como se Cassandra estivesse vendo o futuro. Através delas vemos a mulher escravizada, considerada literalmente um objeto de uso ou uma matriz reprodutora, tratada como animal (que se rebela), torturada (mas que no torturador o medo que ele tem do feminino), silenciada por vozes masculinas quando tenta se expressar à sua maneira e, por fim morta, várias vezes, como se sua morte representasse a morte de todas.

Cassandra dá sua voz então a todos estes discursos de oprimidas que não tiveram oportunidade de se manifestar no seu tempo. Mas não serão só palavras, serão também gritos sufocados e choro de dor, física ou emocional.

O que se busca no espetáculo não é contar uma história ou fazer um discurso panfletário, mas que o público sinta no seu íntimo a opressão que mulher ainda vive nos dias de hoje, pelo simples fato de ser mulher, seja ela uma funkeira de 16 anos ou dama da alta sociedade.

Não ignoremos mais Cassandra.

Serviço

O que: O Efeito Cassandra – Na Calada da Voz
Quando: De 28/05 a 19/06/2016, sábados às 19:30h e domingo (com exceção de 29/05) às 18:00h.
Onde: Sesc Ipiranga, auditório
Rua Bom Pastor, 822
São Paulo – SP
tel. (11) 3340-2000
Maiores informações aqui

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Gifu – A Runa do Perdão

A runa Gifu ou Gyfu, representada por uma cruz em X.

GYfu, Gebo

Normalmente está associada a “dar um presente” e deu origem a palavra inglesa gift, como nestes versos, tirados do poema rúnico (em tradução livre):

Um presente demonstra valor
Poderoso é aquele que o pode dar
Feliz é proscrito que o recebe
Grande é o momento, o povo percebe

Os versos parecem estar ligado apenas ao ato de dar e receber presentes.

gift-gifts

Todavia, a palavra “proscrito” nos lança uma dúvida. Por que “proscrito” para aquele que recebe um presente? E por que um grande momento para o povo todo perceber?

Houve uma fase do povo Viking em que ele era nômade. Para uma tribo nômade, os crimes cometidos por um membro do grupo só podiam ser punidos de dois jeitos: com a morte, em casos mais graves, e com a exclusão do grupo, para crimes mais leves, já que não havia como aprisioná-lo.

O criminoso continuaria no convívio do povo, mas as pessoas o colocariam de lado, não conversando com ela. Ele seria um “proscrito”. Isso duraria até o momento em que qualquer pessoa desse um presente para ele.

Esta é a origem da palavra “perdoar”, que significa “dar para” (no inglês “forgive” – give for).

O proscrito então estará “perdoado”.

Como traduzir isso para os dias de hoje? Vivemos em sociedade e muitas vezes somos obrigados a conviver com pessoas que nos prejudicaram. Então os “proscrevemos” de nossa vida, ou seja, passamos a evitar a pessoa, se possível não o cumprimentamos, falamos o mínimo necessário. Todavia este convívio diário nos traz sempre a lembrança daquela mágoa e temos o “ressentimento” (no sentido exato da palavra re-sentimos aquela mágoa). Este resssentimento só nos traz prejuízos. A pessoa que nos fez mal nada sofre. Então temos que aliviar o fardo, perdoando a pessoa. Isso não significa que vamos voltar a confiar na pessoa ou reatar os laços de amizade com ela. Só queremos que o nosso ressentimento vá embora.

Perdoar não significa nem esquecer nem desculpar o comportamento. Nem que você deva gostar desta pessoa. Significa “deixar ir”.

Se você não perdoa você gasta uma energia sua para manter o mau sentimento. Sempre quem perde é quem tem o mau sentimento.

O não-perdão cria um vínculo desnecessário.

Há um exercício interessante, que podemos associar a esta runa.

  • Imagine que você está numa caverna e vê a pessoa com quem você tem uma diferença entrar.

  • Imagine que existe um cordão ligando você a esta pessoa (é o link do não-perdão).

  • Imagine que você está cortando este link. Nesta fase, alguns pessoas sentem um vazio muito grande. Há algo de você nele.

  • Imagine agora que entra na caverna uma figura que é você evoluído, aquele que já superou este problema.

  • Conecte-se a você mesmo por este link.

  • Sinta o benefício de receber a energia de você mesmo evoluído.

  • Agora imagine que a pessoa ligando-se ao outro eu dele evoluído. Ele agora compreende o por que de seu comportamento e decide deixá-lo só.

  • Imagine-o indo embora da caverna.

  • Sinta o alívio que isto representa.

  • Agora faça um teste. Imagine que você o encontra num ambiente qualquer.

Que sentimentos virão? Se forem negativos refaça o exercício. Se forem neutros (ele é como qualquer outro) ou positivos (até que ele não é um mau sujeito), é sinal que funcionou.

Meditando com Runas – As Runas da Água

Os oráculos têm duas funções: uma, mais mundana, é de nos orientar em questões do dia a dia. Normalmente em decisões ou busca e uma saída para algum problema. Tentamos olhar um pouco à frente no futuro para tentar buscar uma vantagem no jogo da vida.

O segundo uso é para buscarmos a nossa evolução. A questão muda de “o que devo fazer”, para “o que preciso aprender”. Segundo várias tradições místicas a lição nos é apresentada repetidas vezes. Padrões de comportamento ou de “acidentes” indicam que alguém “lá de cima” está querendo lhe chamar a atenção. Por exemplo, por que eu machuco sempre a mão direita? Se não for óbvio (por exemplo, após uma meditação eu descubro que quando eu machuco mão direita estou sendo impedido de fazer alguma besteira, que eu faria se não acontecesse o acidente), um oráculo pode ajudar. E, indo um pouco mais além, mesmo quando tudo está uma maravilha na minha vida, eu lançar mão de um oráculo para saber qual é meu próximo passo evolutivo.

A maioria conhece as runas como processo de adivinhação. Alguns as conhecem como meios de encantamento ou proteção, mas poucos as conhecem como um guia de meditação.

A escolha runa tema pode ser por meio de um lançamento de uma única runa ou por, após termos visto sair a mesma runa várias vezes em várias tiragens. E duas específicas que podem ser escolhidas sem mesmo estar com um conjunto de pedras: Lagu, a runa da água e Gifu, a runa do perdão.

Primeiro veremos as runas da água.

Lagu, a runa da água

runa lagu

Os vikings, criadores das runas, eram excelentes navegantes e a água era primordial para eles, como é para todos nós. Quem mora em São Paulo e viveu o drama da falta de chuvas na Cantareira sabe disso. Quem vive no Nordeste também sabe de uma forma mais crônica.

Lagu é a água tanto no sentido físico como no simbólico: fluidez, emoções e relacionamentos.

Lagu limpa energeticamente as energias mal qualificadas e banha com energia pura a pessoa que está meditando. Isso pode ser feito diariamente e pode ser estabelecido como uma rotina.

Para fazer a meditação, basta estar em contato com a água. Pode ser no banho, lavando louça, o carro ou um animal de estimação. Ou até de forma imaginária. O melhor resultado é num banho de mar.

lagu banho de cachoeira runas

Durante o processo, imagine que a água é cristalina e brilhante. Se estiver imaginando, imagine você numa cachoeira ou num banho de mar. E recite mentalmente ou em voz alta o seguinte poema:

Runas da água

Eu me limpo
De todo o egoísmo
Do ressentimento
Das críticas a meus semelhantes
Da autocondenação
Da ignorância
E dos equívocos de minha vida.

Eu me banho
Em generosidade
Em apreço
Em louvor a meus semelhantes
Em autoaceitação
Em sabedoria
Em compreensão das minhas experiências de vida.

Repita os versos quantas vezes quiser. Não há contra indicações.

É particularmente recomendável esta meditação após uma situação onde houve alguma mágoa.